Javier Horcajada, cineasta de 36 anos, apresenta seu documentário From My Cold Dead Hands, que explora a obsessão dos Estados Unidos por armas. O filme, que pode ser visto em salas de Madrid, é resultado de 8.665 horas de vídeos do YouTube, abordando desde crianças manuseando armas até manifestações que defendem o direito de posse […]
Javier Horcajada, cineasta de 36 anos, apresenta seu documentário From My Cold Dead Hands, que explora a obsessão dos Estados Unidos por armas. O filme, que pode ser visto em salas de Madrid, é resultado de 8.665 horas de vídeos do YouTube, abordando desde crianças manuseando armas até manifestações que defendem o direito de posse de armas como uma questão feminista. Horcajada afirma que não tomou partido, mas a visão de crianças disparando armas é dolorosa e provoca reflexões sobre o futuro.
A obra não é uma simples coletânea de clipes, mas possui uma estrutura temática clara. O diretor começou a trabalhar no projeto durante a pandemia, ao se deparar com vídeos que revelam a cultura armamentista americana. Ele destaca que, apesar de seu trabalho meticuloso, o processo foi longo e desafiador. O filme não busca transmitir uma mensagem específica, mas sim mostrar como essas pessoas se veem e se representam.
O documentário evita imagens de violência explícita, respeitando as vítimas de tiroteios, e traz à tona dados alarmantes, como os 16.576 mortos por disparos nos EUA em 2024, segundo a organização The Trace. Horcajada observa que a paixão por armas permeia todos os aspectos da vida dos americanos, tornando difícil a regulação desse direito. O discurso de Charlton Heston em 2000, defendendo a posse de armas, é um dos pontos centrais do filme, que leva o título de uma de suas falas icônicas.
Horcajada também reflete sobre a situação na Espanha, ressaltando que o problema não é exclusivo dos EUA, mas da humanidade. Ele acredita que, se houvesse fácil acesso a armas no país, haveria um aumento significativo na violência. O documentário já iniciou sua trajetória em festivais europeus e se prepara para estrear nos EUA, onde o interesse pelo tema aumentou após a posse de Donald Trump. O próximo projeto do cineasta abordará imagens do ataque ao Capitólio, evidenciando as conexões entre a cultura armamentista e os eventos políticos recentes.
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