O filme “A semente do fruto sagrado”, dirigido por Mohamad Rasoulof, é uma obra impactante que concorre ao Oscar internacional representando a Alemanha. O diretor, que fugiu do Irã para evitar uma condenação de oito anos de prisão e chibatadas por “crimes contra a segurança do país”, traz à tona a opressão do regime islâmico. […]
O filme “A semente do fruto sagrado”, dirigido por Mohamad Rasoulof, é uma obra impactante que concorre ao Oscar internacional representando a Alemanha. O diretor, que fugiu do Irã para evitar uma condenação de oito anos de prisão e chibatadas por “crimes contra a segurança do país”, traz à tona a opressão do regime islâmico. A narrativa gira em torno de um juiz que, ao perder sua arma, começa a desconfiar de sua própria família, refletindo os efeitos devastadores de regimes totalitários.
Assim como “Ainda estou aqui”, que critica a ditadura militar brasileira, o filme iraniano aborda questões universais de moralidade e dilemas éticos. A história, embora fictícia, é ambientada em um contexto real, onde a repressão violenta se torna evidente, especialmente após os protestos de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini, uma jovem de 22 anos que foi espancada pela polícia por não usar o hijab corretamente. As imagens desses protestos, capturadas por celulares, são um poderoso pano de fundo para a trama.
A obra é exibida em apenas três salas, com sessões limitadas, o que levanta questões sobre sua recepção no Brasil. Apesar de ser falado em farsi e contar com atores desconhecidos, o filme aborda dilemas que ressoam com o público, mostrando a luta interna de uma família dividida entre a obediência ao regime e a busca por liberdade. A esposa do juiz, que tenta manter a paz familiar, acaba se tornando um reflexo da submissão imposta pelo regime.
A interpretação feminina no filme é destacada como brilhante, com as filhas do juiz desafiando a autoridade paterna e o sistema opressor. Embora as chances de vitória no Oscar sejam incertas, “A semente do fruto sagrado” é considerado um forte concorrente, especialmente quando comparado a “Ainda estou aqui”. A obra provoca reflexão sobre a opressão e a resistência, tornando-se essencial para a compreensão dos efeitos de regimes autoritários.
Entre na conversa da comunidade