Um momento de silêncio tomou conta da famosa Catedral de São Luís, em Nova Orleans, quando o público teve a oportunidade de ouvir a ópera “Morgiane”, de Edmond Dédé, o primeiro compositor negro americano a criar uma ópera completa. A obra, que estava perdida, foi redescoberta nos arquivos da Universidade de Harvard, permitindo que Dédé […]
Um momento de silêncio tomou conta da famosa Catedral de São Luís, em Nova Orleans, quando o público teve a oportunidade de ouvir a ópera “Morgiane”, de Edmond Dédé, o primeiro compositor negro americano a criar uma ópera completa. A obra, que estava perdida, foi redescoberta nos arquivos da Universidade de Harvard, permitindo que Dédé fosse reconhecido no cânone da música americana. A apresentação ocorreu na mesma catedral onde Dédé foi batizado em 1828, e a estreia mundial da ópera está programada para esta semana em Washington, DC, Maryland e Nova York.
“Morgiane” é uma opéra comique que narra a história de uma jovem sequestrada e forçada a se casar com um sultão, enquanto sua mãe tenta resgatá-la. Givonna Joseph, cofundadora da OperaCréole, destacou a importância do retorno de Dédé à cena musical, afirmando: “É com grande orgulho e humildade que digo: bem-vindo de volta, Edmond Dédé”. O maestro Patrick Dupre Quigley descreveu a obra como “a ópera mais importante que nunca foi ouvida”, ressaltando a presença histórica de compositores negros na música clássica americana.
Dédé nasceu em 1827 em Nova Orleans, em uma época em que a cidade era um centro de ópera. Ele aprendeu música com seu pai e sob a tutela de compositores negros locais, ganhando reconhecimento desde jovem. Com a crescente tensão em relação à escravidão, Dédé fugiu para a França, onde alcançou o auge de sua carreira, escrevendo e conduzindo no Grand Théâtre em Bordeaux. Ele também foi um abolicionista ativo, lembrando-se da luta dos escravizados nos Estados Unidos.
Após sua morte em 1901, a partitura de “Morgiane” desapareceu, até ser redescoberta. A transcrição da obra, que envolve mais de 500 páginas de notações complexas, foi um esforço coletivo que começou durante a pandemia de Covid-19. Quigley e sua equipe se dedicaram a adaptar a partitura para instrumentos do século XIX, buscando uma fidelidade ao som original que Dédé teria imaginado. A apresentação não só visa celebrar o legado de Dédé, mas também destacar a contribuição dos artistas afro-americanos à música clássica, em um momento crítico para a diversidade e inclusão na cultura americana.
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