Salman Rushdie, o autor indiano de setenta e sete anos, que sobreviveu a um ataque com quinze facadas em 2022, participou do Hay Festival de Cartagena para apresentar seu livro “Cuchillo”, que aborda o atentado que quase lhe custou a vida. Durante o evento, Rushdie comentou sobre a diferença entre o público colombiano, que considera […]
Salman Rushdie, o autor indiano de setenta e sete anos, que sobreviveu a um ataque com quinze facadas em 2022, participou do Hay Festival de Cartagena para apresentar seu livro “Cuchillo”, que aborda o atentado que quase lhe custou a vida. Durante o evento, Rushdie comentou sobre a diferença entre o público colombiano, que considera “amigável”, e o agressor que o atacou em agosto de três anos atrás. Ele destacou que, apesar do medo que o cercou após o ataque, decidiu voltar a eventos públicos como um ato de resistência, apoiado pelo amor da família e pelo humor.
Em entrevista, Rushdie revelou que, embora tenha se afastado de eventos públicos após o ataque, ele está redescobrindo essa experiência. Ele se resiste a ter segurança, exceto em grandes públicos, e acredita que o perigo não é generalizado, mas sim de indivíduos. O autor também falou sobre como o amor o ajudou a se recuperar e como o humor sempre fez parte de sua escrita, mesmo que tenha sido ofuscado por eventos trágicos em sua vida.
Rushdie refletiu sobre sua relação com a morte, afirmando que a sente mais próxima após o ataque. Ele mencionou que, em sua família, as mulheres costumam viver até os cem anos, e ele espera seguir essa linhagem. O autor também expressou sua admiração por Gabriel García Márquez, com quem teve uma conversa telefônica, e comentou sobre a influência do realismo mágico em sua obra, embora prefira não se rotular dentro desse movimento literário.
Por fim, Rushdie criticou a abordagem de Elon Musk em relação à liberdade de expressão nas redes sociais, afirmando que a plataforma de Musk curadoria discursos da extrema direita. Ele também abordou a questão da migração, ressaltando que os valores culturais de tolerância e empatia estão em declínio, e que a migração é uma parte essencial da história americana, alertando sobre as consequências das deportações nos Estados Unidos.
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