O vídeo “As Seen on TV” (1988), estrelado por Bill Irwin, apresenta uma narrativa surreal onde o personagem se transforma em uma imagem bidimensional após ser sugado por uma televisão. A obra é uma introdução ao universo do artista multimídia Charles Atlas, cuja primeira retrospectiva nos Estados Unidos está em exibição no Instituto de Arte […]
O vídeo “As Seen on TV” (1988), estrelado por Bill Irwin, apresenta uma narrativa surreal onde o personagem se transforma em uma imagem bidimensional após ser sugado por uma televisão. A obra é uma introdução ao universo do artista multimídia Charles Atlas, cuja primeira retrospectiva nos Estados Unidos está em exibição no Instituto de Arte Contemporânea de Boston até 16 de março. Com mais de 125 filmes e vídeos, muitos deles instalações multicanal, a exposição reflete a experiência de Atlas em transitar por diferentes dimensões artísticas, semelhante à jornada de Irwin.
Nascido em St. Louis em 1949, Atlas se mudou para Nova York na década de 1970, onde se envolveu com as comunidades de vanguarda, colaborando com figuras como John Cage e Merce Cunningham. Juntos, eles exploraram a interseção entre dança e cinema, com Atlas documentando as performances da Merce Cunningham Dance Company. Através de sua câmera, ele introduziu uma nova linguagem visual, onde a dança não era apenas para o palco, mas também para a câmera, permitindo uma nova forma de percepção e expressão.
Atlas e Cunningham foram pioneiros do que chamaram de “media-dance”, uma abordagem que integrava coreografia e cinematografia. Utilizando tecnologia de vídeo mais acessível, eles transformaram a dança em uma forma de arte que poderia ser editada e manipulada, rompendo com a linearidade tradicional. Ao longo dos anos 70, Atlas trabalhou em estreita colaboração com Cunningham, criando obras que exploravam a profundidade de campo e a dinâmica do movimento, destacando a inadequação do olhar humano.
Nos anos 80 e 90, Atlas se voltou para a cena noturna de Nova York, capturando a exuberância dos clubes e da cultura drag. Seu trabalho, que dialoga com a obra de cineastas como Andy Warhol, reflete uma continuidade erótica e expressiva. Com colaborações de artistas como Michael Clark e Leigh Bowery, Atlas incorporou uma estética maximalista, utilizando uma variedade de estilos musicais e visuais. À medida que a epidemia de AIDS impactava suas comunidades, suas obras passaram a abordar temas de perda e violência, culminando em uma inovação constante que se estende até suas criações mais recentes, que incluem tecnologia de captura de movimento e vídeos em 3D.
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