Desde o início de janeiro, a pergunta “Onde estão os 21 mil livros de Haroldo de Campos?” tem ecoado em São Paulo, especialmente após um protesto na Rua da Consolação. A biblioteca do renomado poeta e tradutor, que estava na Casa das Rosas, foi transferida sem aviso prévio para uma reserva técnica em Barueri, a […]
Desde o início de janeiro, a pergunta “Onde estão os 21 mil livros de Haroldo de Campos?” tem ecoado em São Paulo, especialmente após um protesto na Rua da Consolação. A biblioteca do renomado poeta e tradutor, que estava na Casa das Rosas, foi transferida sem aviso prévio para uma reserva técnica em Barueri, a cerca de 30 quilômetros do local original. O irmão de Haroldo, Augusto de Campos, classificou a transferência como um “crime cultural inominável” e pediu esclarecimentos ao governo sobre a situação.
O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) também se manifestou, solicitando que a Secretaria da Cultura, Economia e Indústrias Criativas explicasse a transferência e que a Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo investigasse o caso. Um abaixo-assinado já contava com quase 1.500 apoios pedindo o retorno do acervo à Casa das Rosas. Em resposta, a Secretaria da Cultura afirmou que a mudança visava a preservação das obras, que agora estão em um local especializado.
Daisy Brito Rezende, viúva de Ivan, filho de Haroldo, soube da transferência por meio de um amigo e expressou preocupação com a falta de comunicação. Em 2004, a família havia exigido que a coleção fosse acessível ao público e que uma comissão fosse formada para supervisionar o acervo. Após reunião com a Poiesis, organização que administra a Casa das Rosas, Daisy aguarda documentos que confirmem o compromisso de promover o legado de Haroldo.
O acervo, que inclui livros raros e revistas acadêmicas importantes, está atualmente armazenado em 200 caixas de papelão em um espaço de 65m² em Barueri, com aluguel de R$ 25 mil mensais. O secretário executivo da Cultura, Marcelo Assis, reconheceu que a falta de comunicação com a família foi um erro, mas defendeu a transferência como uma medida técnica para garantir a preservação. A Casa das Rosas, um importante centro cultural, reabriu em 2023 após reformas que custaram R$ 4,2 milhões, mas não pode abrigar o acervo devido a questões de umidade. A diretora da Poiesis, Ceres Alves Prates, garantiu que a obra de Haroldo continuará sendo promovida, apesar da distância do acervo.
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