A escola de samba Paraíso do Tuiuti irá homenagear Xica Manicongo, uma mulher trans escravizada no Brasil no século 16, durante o desfile do Carnaval no dia 4 de março no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Considerada a primeira travesti documentada do país, a biografia de Xica será entrelaçada com a de outras mulheres trans […]
A escola de samba Paraíso do Tuiuti irá homenagear Xica Manicongo, uma mulher trans escravizada no Brasil no século 16, durante o desfile do Carnaval no dia 4 de março no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Considerada a primeira travesti documentada do país, a biografia de Xica será entrelaçada com a de outras mulheres trans brasileiras. O desfile contará com a participação de artistas, ativistas e uma comissão de frente composta exclusivamente por mulheres trans, refletindo a crescente valorização da história de Xica nos últimos anos.
A história de Xica Manicongo remonta a 1591, quando ela foi acusada de práticas consideradas abomináveis pela Inquisição Portuguesa. O nome “Manicongo” era um título dado a governantes do Reino do Congo, e Xica foi renomeada após sua chegada ao Brasil. O carnavalesco Jack Vasconcelos se inspirou nas pesquisas do antropólogo Luiz Mott para criar um desfile que não apenas celebra a figura de Xica, mas também aborda questões contemporâneas enfrentadas pela comunidade trans.
Desde novembro, ensaios têm ocorrido em São Cristóvão, reunindo centenas de participantes, incluindo mulheres trans que enfrentam dificuldades financeiras. O projeto social visa não apenas a inclusão no desfile, mas também a capacitação em costura e dança. A presidente da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), Bruna Benevides, destacou a importância de dar voz às “invisíveis entre as invisíveis”, mulheres trans negras com baixa renda.
O samba-enredo inclui elementos do pajubá, um dialeto criado por trans brasileiras, e aborda a luta contra a violência, com um refrão que afirma: “Eu, travesti, estou na esquina, para enfrentar a matança”. O desfile promete ser um marco, celebrando a vida e a resistência das mulheres trans, com a presença de figuras importantes da comunidade, como as deputadas Erika Hilton e Duda Salabert. Vasconcelos expressou sua satisfação com o trabalho realizado, enfatizando que a homenagem a essas mulheres vivas e felizes é uma resposta poderosa a preconceitos ainda presentes na sociedade.
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