Murilo Salles, cineasta de 75 anos, traz ao cinema a adaptação de O Turista Aprendiz, obra de Mário de Andrade, que retrata suas experiências pelo Brasil. Salles, admirador do modernista, critica a atual mentalidade de muitos brasileiros que buscam apenas o próprio benefício, sem se preocupar com a essência do país. Em entrevista, ele destaca […]
Murilo Salles, cineasta de 75 anos, traz ao cinema a adaptação de O Turista Aprendiz, obra de Mário de Andrade, que retrata suas experiências pelo Brasil. Salles, admirador do modernista, critica a atual mentalidade de muitos brasileiros que buscam apenas o próprio benefício, sem se preocupar com a essência do país. Em entrevista, ele destaca que a obra de Andrade é uma experimentação literária, mais do que um relato de viagem convencional.
O cineasta ressalta a importância de revisitar temas que abordam a sensibilidade e a identidade nacional, contrastando com a visão contemporânea que prioriza interesses pessoais. Para Salles, Andrade desejava um Brasil com uma identidade própria, ao contrário da mentalidade atual que se preocupa apenas em “se dar bem”. Ele menciona que seu primeiro contato com a obra de Andrade ocorreu na adolescência, quando leu Macunaíma, e que a discussão sobre o Brasil era mais profunda nas décadas de 1960 e 1970.
Salles também reflete sobre a crise da verdade na sociedade atual, onde as pessoas tendem a se cercar de opiniões que reforçam suas crenças. Ele acredita que a busca pela verdade se tornou menos comum, com muitos preferindo se alinhar a grupos que compartilham suas visões. O cineasta expressa preocupação com a recepção de temas políticos no cinema, questionando se o público realmente deseja ver representações da corrupção e da violência que permeiam a sociedade brasileira.
Por fim, Salles aborda o impacto do streaming na produção cinematográfica, destacando que, embora ofereça uma variedade de conteúdos, a qualidade de muitos filmes é questionável. Ele compara a era atual com sua juventude, marcada por movimentos culturais significativos, e observa que o mundo está se transformando com novas tecnologias e formas de consumo, como o streaming, que mudaram a dinâmica da indústria cinematográfica.
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