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Música clássica brasileira revela suas profundas raízes na cultura negra

Ópera "Morgiane", de Edmond Dédé, destaca a rica herança afrodescendente na música clássica brasileira e a luta por reconhecimento.

Em janeiro de 2024, a ópera ‘Morgiane’, de Edmond Dédé, estreou em St. Louis na forma de concerto e versão resumida. O New York Times destacou o desejo do compositor negro americano de ver sua obra no palco. A New Yorker enfatizou os esforços para promover compositores negros, especialmente em um contexto onde a diversidade […]

Em janeiro de 2024, a ópera ‘Morgiane’, de Edmond Dédé, estreou em St. Louis na forma de concerto e versão resumida. O New York Times destacou o desejo do compositor negro americano de ver sua obra no palco. A New Yorker enfatizou os esforços para promover compositores negros, especialmente em um contexto onde a diversidade enfrenta desafios, como a nomeação de Donald Trump como presidente do Kennedy Center, que boicotou programas de inclusão.

No Brasil, a influência da música clássica negra é frequentemente subestimada. Embora as heranças africanas sejam reconhecidas em ritmos e batuques, a riqueza melódica e polifônica das culturas de origem desses músicos é frequentemente ignorada. Desde o século XVII, compositores negros têm deixado sua marca na música brasileira, incluindo a ópera. A musicologia brasileira tem catalogado e digitalizado milhares de partituras de compositores como José Maurício Nunes Garcia, que, apesar de suas origens, se destacou na cena musical.

A chegada de Dom João, em 1808, fez de Maurício o compositor favorito do príncipe, que apreciava música. Sua obra foi reconhecida internacionalmente, e ele é considerado um dos maiores improvisadores de sua época. O cenário artístico da época também contou com figuras como Aleijadinho e Silva Alvarenga, que contribuíram para um rico legado cultural. A cantora Joaquina Maria, a Lapinha, foi a primeira mulher negra a se apresentar no Teatro São Carlos, em Lisboa, um marco importante na história da música.

As óperas de Carlos Gomes também tiveram grande sucesso no final do século XIX, promovendo a abolição da escravidão. Gomes libertou escravizados em seus palcos desde 1880, e sua influência se estendeu de Belém a São Petersburgo. O reconhecimento da contribuição dos artistas negros é essencial para entender a rica tapeçaria cultural do Brasil, que continua a ser celebrada e reconhecida mundialmente.

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