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Reinterpretação de ‘Último Tango em Paris’ traz reflexão sobre abuso no cinema

Cinebiografia "Meu Nome É Maria" refaz cena polêmica de "Último Tango em Paris" com enfoque feminista e coordenadora de intimidade.

O cineasta italiano Bernardo Bertolucci causou polêmica ao dirigir a cena de uma tentativa de estupro em “Último Tango em Paris” (1972), envolvendo a jovem Maria Schneider, que na época tinha apenas 19 anos. Durante a filmagem, Bertolucci pediu que Marlon Brando, 28 anos mais velho, surpreendesse Schneider, levando-a a uma situação de humilhação que […]

O cineasta italiano Bernardo Bertolucci causou polêmica ao dirigir a cena de uma tentativa de estupro em “Último Tango em Paris” (1972), envolvendo a jovem Maria Schneider, que na época tinha apenas 19 anos. Durante a filmagem, Bertolucci pediu que Marlon Brando, 28 anos mais velho, surpreendesse Schneider, levando-a a uma situação de humilhação que ela descreveu como se sentindo “um pouco estuprada pelos dois”. Essa abordagem chocante foi vista como uma violação dos limites da atriz, que nunca recebeu um pedido de desculpas após o lançamento do filme.

Mais de cinquenta anos depois, a cinebiografia “Meu Nome É Maria”, dirigida por Jessica Palud, revisita essa cena infame. Anamaria Vartolomei interpreta Schneider, enquanto Matt Dillon assume o papel de Brando. A diretora optou por incluir uma coordenadora de intimidade, uma prática que visa proteger os atores durante cenas sensíveis, demonstrando que é possível criar tensão dramática sem causar trauma.

Desde o surgimento do movimento #MeToo, “Último Tango em Paris” passou a ser visto como um exemplo de práticas abusivas na indústria cinematográfica. A cena que outrora era considerada arte agora é amplamente condenada como uma forma de violência contra a atriz. O novo filme, ao abordar essa questão, adota uma perspectiva feminista, destacando as consequências que Schneider enfrentou ao longo de sua carreira, marcada por papéis estereotipados e a luta contra o vício em heroína.

Schneider, que faleceu em 2011, não viveu para ver as mudanças na indústria. Sua experiência se tornou um símbolo de resistência e alerta sobre a necessidade de práticas mais éticas no cinema. A diretora de “Meu Nome É Maria” enfatiza que “Bertolucci filmou um abuso — e isso não é cinema”, refletindo a transformação na percepção sobre o tratamento de atores em produções cinematográficas.

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