O filme “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, estreou no Festival Internacional de Cinema de Jeonju, na Coreia do Sul, com sessões esgotadas. O longa, que aborda a ditadura militar brasileira, ressoou com a história da Coreia do Sul, que também passou por um regime autoritário. Moon Seok, responsável pela programação do festival, destacou as semelhanças entre os dois países, que viveram ditaduras em períodos próximos. Ele mencionou que tanto os mais velhos quanto os jovens se identificaram com a trama, especialmente após uma recente tentativa de golpe na Coreia do Sul. O filme retrata a opressão e a resistência do povo, temas que também foram vividos na Coreia. Kim Cheul-hong, que vive no Brasil, comentou sobre a dor enfrentada pelos personagens e como isso se relaciona com a história coreana. O festival também apresentou outros filmes brasileiros, refletindo a importância do cinema na discussão sobre democracia. Além disso, um filme sul-coreano sobre um golpe militar de 1979 teve grande sucesso no Brasil, mostrando como essas histórias ainda impactam a sociedade.
O filme “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, estreou no Festival Internacional de Cinema de Jeonju na Coreia do Sul, com sessões esgotadas. A obra, que aborda a ditadura militar brasileira, ressoou com a história de opressão vivida pelos coreanos, especialmente após tentativas de golpe recente.
Moon Seok, responsável pela programação do festival, destacou as semelhanças entre as trajetórias democráticas do Brasil e da Coreia do Sul. Ambos os países enfrentaram ditaduras militares em períodos próximos: no Brasil, de mil novecentos e sessenta e quatro a mil novecentos e oitenta e cinco, e na Coreia, de mil novecentos e sessenta e um a mil novecentos e oitenta e sete. Moon afirmou que o filme é “muito interessante e comovente”, refletindo a identificação do público com a trama.
A recente crise política na Coreia do Sul, marcada pela tentativa de golpe do presidente Yoon Suk-yeol em dezembro de dois mil e vinte e dois, também influenciou a recepção do filme. A forte oposição popular resultou no impeachment de Yoon, evidenciando a fragilidade das instituições democráticas. Moon ressaltou que a opressão e a resistência do povo são temas centrais tanto no filme quanto na história coreana.
Reflexões sobre a Opressão
Kim Cheul-hong, diretor do Centro Cultural Coreano em São Paulo, comentou sobre a resiliência dos personagens do filme. Ele observou que, assim como no Brasil, a Coreia do Sul também passou por momentos trágicos, mas muitos conseguiram superar essas dificuldades. A narrativa do filme, que foca na vida cotidiana de uma família, provoca uma forte impressão, mesmo em contextos diferentes.
A trama gira em torno da família de Rubens Paiva, ex-deputado assassinado durante a ditadura. A ensaísta sul-coreana Anna Kim destacou a “violência do Estado” que invade a vida privada da família, refletindo o temor e a continuidade da vida em meio à opressão. Anna também notou as semelhanças na repressão de movimentos opositores entre os dois países.
Cinema e Democracia
O festival de Jeonju, ao criar a seção “Novamente, Rumo à Democracia”, busca abordar os desafios democráticos contemporâneos. A seleção inclui outros filmes brasileiros, como “No Céu da Pátria Nesse Instante”, que retrata as eleições de dois mil e vinte e dois. Moon enfatizou a importância histórica desses longas, que foram restaurados e exibidos pela primeira vez na Ásia.
Por outro lado, um filme sul-coreano sobre o golpe militar de mil novecentos e setenta e nove, “12.12: O Dia”, estreou recentemente no Brasil, atraindo grande público. Moon observou que a popularidade de tais histórias serve como um lembrete da fragilidade da democracia, tanto na Coreia do Sul quanto no Brasil.
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