A série argentina “El Eternauta” é uma adaptação de um quadrinho de 1957 que se tornou um símbolo da resistência contra a repressão militar na Argentina. A história mostra como pessoas comuns, moradores de um bairro, enfrentam invasores alienígenas e aprendem a se organizar e resistir. O autor do quadrinho, Héctor Germán Oesterheld, foi um dos desaparecidos durante a ditadura argentina. Atualmente, produções sobre ditaduras na América do Sul estão em alta, refletindo sobre a memória histórica e a luta contra o negacionismo. Filmes como “Aún estoy aquí”, que ganhou o Oscar de melhor filme internacional, e “Argentina, 1985”, que retrata o julgamento de líderes da ditadura, mostram a importância de lembrar esses eventos. Documentários e ficções de diversos países da região abordam temas semelhantes, destacando a impunidade e a necessidade de justiça. Essas obras são vistas como alertas sobre o presente, já que o negacionismo ainda persiste em alguns setores da sociedade. O cinema é considerado um importante meio para manter viva a memória das vítimas e dos crimes cometidos durante esses regimes.
A série argentina “El Eternauta” estreou recentemente na Netflix, adaptando um quadrinho de 1957 que se tornou um símbolo da resistência contra a repressão militar na Argentina. A trama retrata heróis comuns, moradores de Vicente López, que enfrentam uma invasão alienígena com organização e resistência coletiva.
O autor do quadrinho, Héctor Germán Oesterheld, foi um dos milhares de desaparecidos durante a ditadura argentina. Sua obra, marcada por experiências traumáticas, agora é revisitada em um contexto onde produções sobre ditaduras na América do Sul estão em alta. Filmes e documentários têm explorado a memória histórica e a luta contra o negacionismo.
Recentemente, a produção “Aún estoy aquí”, vencedora do Oscar de melhor filme internacional em 2024, aborda a luta de uma mulher carioca após o sequestro e assassinato de seu marido por um regime autoritário. Outras obras, como “Argentina, 1985”, também têm sido fundamentais para relembrar os horrores da repressão militar.
Produções em Destaque
O documentário “Bajo las banderas” ganhou o prêmio Fipresci na Berlinale de 2025, trazendo imagens de Alfredo Stroessner, que governou o Paraguai por 35 anos. Além disso, a brasileira “El agente secreto” será a única da região na seleção oficial de Cannes, abordando a vida de um professor perseguido por atividades subversivas.
Cineastas como Walter Salles e Wagner Moura defendem o cinema como um meio de combater o esquecimento. Moura, ao apresentar “Marighella”, destacou a importância de falar sobre a resistência à ditadura, conectando o passado ao presente.
Memória e Justiça
A diretora Tatiana Gaviola, em “La mirada incendiada”, retrata a vida de Rodrigo Rojas, um fotógrafo queimado vivo durante um protesto em 1986. A produção trouxe à tona questões de impunidade e a busca por justiça, refletindo sobre os crimes ainda não resolvidos.
A crescente produção de filmes sobre a memória histórica na América do Sul revela a relevância contínua dos regimes militares. Obras como “Cuando los hombres quedan solos” (Bolívia) e “La pena máxima” (Peru) mostram que a luta pela verdade e justiça permanece viva no subcontinente.
Entre na conversa da comunidade