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Descubra um pouco sobre a vida de Sebastião Salgado, o fotógrafo que enxergava com a alma

Economista de formação, humanista por vocação, Salgado transformou a fotografia em ferramenta de denúncia, beleza e reconstrução — da miséria humana à regeneração da floresta.

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Sebastião Salgado nasceu em 8 de fevereiro de 1944, em Aimorés, Minas Gerais, e cresceu na zona rural. Formou-se em Economia, mas se apaixonou pela fotografia, que se tornou sua missão. Aos 29 anos, durante o exílio em Paris, começou a fotografar e trabalhou com agências renomadas, viajando pelo mundo e documentando a vida de pessoas em situações difíceis. Junto com sua esposa, Lélia Wanick Salgado, fundou a Amazonas Images e o Instituto Terra, que restaurou uma antiga fazenda em uma floresta. Seus livros, como *Outras Américas* e *Gênesis*, são marcos da fotografia documental. Salgado recebeu muitos prêmios, incluindo o Prêmio Príncipe de Astúrias e o World Press Photo. Seu trabalho, em preto e branco, capturou a essência da humanidade e do planeta, com imagens icônicas como a mina de Serra Pelada, trabalhadores rurais e crianças refugiadas. Ele foi um contador de verdades, mostrando a dor e a beleza da vida de forma profunda e respeitosa.

Sebastião Salgado nasceu em Aimorés, Minas Gerais, em 8 de fevereiro de 1944, e passou a infância na zona rural do estado. Formou-se em Economia, mas encontrou sua verdadeira vocação ao se aproximar da fotografia — e com ela, percorreu o mundo documentando a vida de outras pessoas, sempre guiado por um olhar sensível e comprometido com as questões sociais, ambientais e humanas.

Foi aos 29 anos, já exilado em Paris durante a ditadura militar brasileira, que começou a fotografar. O que era hobby virou missão. Nos anos seguintes, passou pelas agências Sygma, Gamma e, depois, a renomada Magnum Photos, pela qual percorreu a América Latina, o Sahel africano, os garimpos de Serra Pelada, os campos de refugiados, os bairros operários, os rituais indígenas, as marchas de migrantes — sempre carregando nas mãos uma Leica e no peito um incômodo diante da desigualdade.

Ao lado da mulher e parceira de vida, Lélia Wanick Salgado, criou em 1994 a Amazonas Images, uma agência feita exclusivamente para cuidar de sua obra. Também foi com Lélia que fundou o Instituto Terra, em 1998, transformando a antiga fazenda da família numa floresta restaurada — um gesto que simboliza tudo o que Sebastião acreditava: que é possível regenerar o mundo.

Seu trabalho foi reunido em livros que viraram marcos da fotografia documental:

  • *Outras Américas* (1986)
  • *Trabalhadores* (1993)
  • *Êxodos* (2000)
  • *África* (2007)
  • *Gênesis* (2013)
  • *Amazônia* (2021)

Em *Gênesis*, Salgado fez uma pausa nas misérias humanas e voltou-se ao esplendor do planeta ainda intocado — paisagens, povos e animais que resistem ao tempo moderno. Foi um reencontro com a esperança, após anos registrando a dor.

Ao longo da vida, recebeu dezenas de prêmios, entre eles o Prêmio Príncipe de Astúrias, o World Press Photo, o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro Alemão e o título de Embaixador da Boa Vontade da UNICEF. Em 2014, teve sua trajetória contada no documentário *O Sal da Terra*, indicado ao Oscar, dirigido por seu filho Juliano Ribeiro Salgado e pelo cineasta Wim Wenders.

As lentes de Salgado registraram a alma humana — e a do planeta — em preto e branco. Seus enquadramentos intensos, cheios de textura e humanidade, eternizaram imagens que marcaram a história da fotografia. Três delas se destacam como símbolos de sua obra:

*A mina de Serra Pelada* – da série Gold

Talvez sua imagem mais emblemática. Em 1986, Salgado passou 33 dias no garimpo de Serra Pelada, no Pará, onde mais de 50 mil homens escavavam ouro em condições extremas. A fotografia que retrata o buraco de 200 metros de profundidade com fileiras humanas em ação se tornou um ícone do trabalho manual e da desigualdade no Brasil.

Antes de conseguir entrar na mina, ele havia tentado anos antes, sem sucesso, por conta da censura do regime militar. Embora as imagens tenham sido feitas nos anos 1980, Salgado só publicou a série em 2019, sob o título *Gold*.

*Trabalhadores rurais* – da série Trabalhadores

Na imagem que se tornou *capa do livro Trabalhadores: Uma Arqueologia da Era Industrial* (1996), três homens aparecem juntos, sujos de terra, em um cenário que revela a dureza do ofício. O jovem em primeiro plano segura uma ferramenta de trabalho, simbolizando não apenas o esforço físico, mas também a dignidade, a resistência e a coletividade da classe operária.

Salgado não retratava a pobreza com sensacionalismo, mas com respeito e profundidade, mostrando a força que há por trás de cada rosto anônimo.

*Crianças refugiadas* – da série Êxodos

Na série dedicada às migrações globais, Salgado reservou um espaço especial para as crianças, vítimas silenciosas dos deslocamentos forçados. Nessa imagem tocante, três crianças negras aparecem sob uma coberta comum, com parte dos rostos visíveis. Os olhares são distintos: um espantado, outro exausto, outro interrogativo. A cena resume a infância sob tensão — e a esperança resiliente que ainda persiste.

Mais do que um fotógrafo, Sebastião Salgado foi um contador de verdades. Enxergava a dor sem fetiche, a beleza sem ilusão e o ser humano em sua mais profunda complexidade. Seu legado segue vivo nas imagens que nos obrigam a ver o mundo de forma mais atenta, crítica e humana.

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