Marcelo Gomes, durante a pandemia, teve problemas com insônia e a falta de sonhos, o que o levou a investigar mais sobre o sono e o inconsciente. Ele se inspirou em um artigo do neurocientista Sidarta Ribeiro e criou um documentário chamado “Criaturas da Mente”. O filme fala sobre a conexão entre sonhos, sono e estados alterados de consciência, incluindo saberes de culturas indígenas e experiências com substâncias psicodélicas como o DMT. Gomes, que coescreveu o documentário com Letícia Simões, diz que a obra explora o inconsciente de forma ampla, incluindo transe e psicodelia. A narrativa começa no Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde Ribeiro pesquisa a importância dos sonhos e do sono para a saúde mental. O documentário também apresenta Ailton Krenak, que fala sobre a relação entre sonho e realidade entre os yanomami, e discute a importância de sonhar. O uso de psicodélicos é abordado, com Ribeiro e Gomes compartilhando suas experiências. Marcelo Leite, um jornalista, questiona a ideia de incorporar entidades durante essas experiências, defendendo que estados alterados são uma forma de autoconhecimento. O filme sugere que sonhos e estados alterados de consciência podem enriquecer a experiência humana e oferecer novas visões sobre a realidade.
Marcelo Gomes, durante a pandemia, enfrentou a falta de sonhos e insônia, o que o levou a buscar respostas sobre o sono e o inconsciente. Inspirado por um artigo do neurocientista Sidarta Ribeiro, ele decidiu transformar essa inquietação em um documentário, intitulado “Criaturas da Mente”, lançado recentemente pela VideoFilmes.
O filme explora a relação entre sonhos, sono e estados alterados de consciência, abordando saberes originários e experiências com substâncias psicodélicas, como o DMT. Gomes, que coescreveu o documentário com Letícia Simões, afirma que a obra vai além do sonho, abrangendo o inconsciente como um todo. “O transe, a psicodelia. Esse foi o barato. O filme é uma viagem de autoconhecimento”, explica.
A narrativa do documentário é uma jornada em busca de respostas. Gomes inicia sua investigação no Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde Ribeiro realiza suas pesquisas. O neurocientista destaca a resistência da biomedicina em aceitar os sonhos como objeto de estudo, uma situação que se agravou desde os anos 1950. Ribeiro menciona que a privação de sono pode afetar a empatia e as relações interpessoais, ressaltando a importância do sono e dos sonhos na saúde mental.
Saberes Originários e Psicodelia
O documentário também incorpora saberes originários, com a participação de Ailton Krenak, que discute a relação entre sonho e realidade entre os yanomami. Krenak enfatiza a importância de respeitar o ato de sonhar como fundamental para a vida. João Moreira Salles, produtor do filme, destaca os desafios de representar a cosmologia indígena e a necessidade de colaboração para uma representação mais autêntica.
O uso de substâncias psicodélicas, como o DMT, é explorado no filme. Ribeiro e Gomes compartilham suas experiências com a substância, que provoca estados alterados de consciência. Ribeiro relata visões de luzes e formas, enquanto Gomes descreve uma cerimônia religiosa em que também teve experiências visuais marcantes. O documentário não busca provar a utilidade do onírico, mas sim enfatizar o papel social do transe.
Reflexões sobre a Consciência
Marcelo Leite, jornalista e colunista, aparece como um contraponto no filme, questionando a incorporação de entidades durante essas experiências. Ele argumenta que os estados alterados são uma forma de autoconhecimento, desafiando a visão materialista do mundo. Moreira Salles complementa, afirmando que existem outras formas de conhecimento que podem responder a perguntas sobre o sentido da vida.
“Criaturas da Mente” propõe uma reflexão sobre a importância dos sonhos e estados alterados de consciência, mostrando que esses elementos não apenas enriquecem a experiência humana, mas também oferecem novas perspectivas sobre a realidade.
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