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A ascensão dos RPGs de Mesa no meio digital

Jogos antigamente considerados datados, se reinventaram com a tecnologia e ficaram mais fortes do que nunca

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A Wizards of The Coast, dona de Dungeons & Dragons, anunciou um novo jogo solo feito pela mesma equipe de Baldur’s Gate 3 e uma série em parceria com a Netflix baseada no RPG. A popularidade de D&D cresceu muito, especialmente em 2020, quando as vendas aumentaram 33% em relação a 2019. Os RPGs de mesa, como D&D, são jogos em grupo onde cada jogador interpreta um personagem e um deles é o Mestre, que narra a história. A pandemia de COVID-19 ajudou a popularizar esses jogos online, com pessoas jogando por vídeo chamadas e transmitindo suas sessões ao vivo. No Brasil, o projeto Ordem Paranormal, criado pelo streamer Cellbit, fez muito sucesso e atraiu novos jogadores. Com a adaptação dos RPGs ao digital, surgem novas iniciativas que mantêm a comunidade ativa e engajada, como a campanha Aurys, que transforma as jogadas em produções audiovisuais.

A empresa *Wizards of The Coast*, dona da franquia de RPGs de mesa *Dungeons & Dragons*, anunciou recentemente um novo jogo single player que será lançado pela mesma criadora de *Baldurs gate 3*, um dos jogos deste gênero mais comentado nos últimos tempos. Junto disso, o grupo também anunciou uma série em colaboração com a *Netflix*, que tem como base o jogo de RPG.

A popularidade de *Dungeons & Dragons* se vê cada vez maior, em 2020, a franquia teve o seu melhor ano economicamente, com um aumento de 33% nas vendas em relação a 2019. Ao olhar mais de perto, é possível notar alguns fatores que indicam como o D&D — e os RPGs de mesa em geral — se reinventam e mantêm seu espaço, mesmo em um mundo cada vez mais digital.

**O que é RPG de mesa?**

Para entender a popularidade dos RPGs de mesa, é preciso saber do que se trata. TTRPG é a sigla para *Tabletop Role-Playing Game*, ou “jogo de interpretação de mesa”. Eles são jogados em grupo, com cada pessoa interpretando um personagem criado a partir de uma ficha que reúne atributos e habilidades definidos por um sistema de regras.

Um dos participantes assume o papel de Mestre, que é responsável por narrar a história, descrever os cenários e controlar os inimigos e outros personagens. Os demais jogadores interpretam seus personagens em um mundo fictício — que pode ser medieval, futurista ou qualquer outro, de acordo com o sistema escolhido — tomando decisões e interagindo entre si como em uma espécie de “jogo de faz de conta” com regras que guiam a mesa.

Um dos principais sistemas nesse meio é o próprio *Dungeons & Dragons*, ícone da cultura pop que moldou a percepção popular dos RPGs de mesa, apresentando um cenário medieval, com monstros e magias. Ele já apareceu em diversas séries como por exemplo *Big Bang Theory* além de contar com alguns filmes, entre eles o recente *Dungeons & Dragons: Honra Entre Rebeldes* de 2023 que arrecadou mais de 208 milhões de dólares mundialmente.

**A ascensão no meio digital**

Nos últimos anos, observou-se uma ascensão desse tipo de jogo, especialmente na internet, o que revela que, ao contrário dos videogames, que podem se tornar datados com o tempo por conta da evolução de gráficos ou de sistemas operacionais, os RPGs de mesa se mostram mais atemporais, sempre se reinventando, e a uma explicação para esse aumento de popularidade.

Em 2020, o mundo foi abalado pela pandemia da COVID-19, onde a interação entre pessoas foi afetada pelo isolamento social. O que poderia representar um cenário horrível para esses jogos, acabou tendo o efeito oposto. Pessoas passaram a se reunir por aplicativos de mensagem e a jogar sessões online, com câmeras e até aplicativos que simulavam os tabuleiros.

Junto disso, muitos grupos começaram a transmitir suas mesas ao vivo para outras pessoas assistirem. O canal *Critical Role*, um dos maiores deste ramo, já fazia isso desde 2015, mas viu sua popularidade aumentar mais ainda nesta época. Isso tudo impulsionou o crescimento da comunidade de RPG. Além de aproximar mesas que antes estavam distantes, também formou novos grupos que buscavam, pela internet, outras pessoas para jogar.

Mas mesmo antes da pandemia, o RPG já era conhecido no meio do entretenimento. Um dos fatores que ajudaram no seu crescimento de popularidade foi a presença em filmes e séries famosos que faziam referência aos jogos e despertavam no público o desejo de ter uma mesa para jogar. Esse foi o caso de *Stranger Things*, uma das séries de maior sucesso da atualidade, que acendeu a curiosidade sobre o jogo em seus espectadores.

**A popularidade no Brasil**

O Brasil teve papel fundamental no aumento do reconhecimento dos RPGs, tanto mundialmente quanto nacionalmente. O motivo disso se deve através do projeto *Ordem Paranormal* criado pelo streamer Rafael Lange, mais conhecido como Cellbit.

O que primeiramente era apenas uma jogatina entre amigos transmitida para seus fãs, se tornou um grande produto. Agora cada sessão conta com visuais e animações próprios, trilha sonora original e um estúdio montado com todo o equipamento necessário para transmitir uma mesa presencial.

Uma das sessões se tornou uma das mais assistidas mundialmente na categoria de RPG da plataforma *Twitch*, com mais de 200 mil pessoas assistindo simultaneamente, desbancando o título do *Critical Role*.

Atualmente, o projeto conta com 8 campanhas, um livro de regras feito unicamente para o cenário criado por Rafael e um videogame com foco na resolução de enigmas.

A comunidade em torno dessa campanha impulsionou o cenário nacional do RPG, incentivando novatos a se aventurarem nesse universo e fortalecendo sistemas brasileiros. O cenário nacional agora conta com uma comunidade muito maior, que, graças à *Ordem Paranormal*, fez novas pessoas descobrirem sua paixão pelos jogos de interpretação.

**Qual o futuro?**

Com a rápida adaptação dos jogos de RPG às mídias digitais, surge o questionamento sobre como eles vão continuar a se manter em alta para atender a essa comunidade, agora bem maior.

Por se tratar de um jogo social, diversos grupos foram criados com o intuito de juntar jogadores e mestres para jogarem novas campanhas, o que deixa essa comunidade sempre viva e ativa.

Projetos focados em inovar na forma como o jogo é acompanhado na internet também surgem e resgatam a sensação de novidade presente no início da pandemia, quando houve a explosão de mesas transmitidas. Esse é o caso da promissora campanha *Aurys*, do youtuber Lucas Bernardes, que transforma uma jogatina casual em um projeto audiovisual completo. O mestre, ao invés de transmitir ao vivo, grava a mesa offline e depois insere elementos visuais e sonoros, impossíveis de serem incluídos em tempo real, criando a sensação de que o espectador assiste a uma série enquanto mantém a essência do RPG.

Com projetos inovadores e a tecnologia ao lado dos mestres, o mundo do RPG permanece firme diante da grande maré de informações da internet, que hoje é usada como principal pilar para expandir cada vez mais a comunidade criada em volta desses jogos.

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