Nos últimos anos, o TikTok se tornou uma das maiores redes sociais, com mais de 1,6 bilhão de usuários. A plataforma é conhecida por seus vídeos curtos, que geram mais compartilhamentos do que outras redes, como o YouTube. Isso também afeta a música, já que muitas canções se destacam em danças virais. Uma pesquisa mostrou que, em 2024, mais de 80% das músicas no top 200 da Billboard viralizaram no TikTok antes de entrar no ranking. Para se adaptar a essa nova realidade, as músicas estão sendo criadas com durações mais curtas, entre 1min30s e 2min30s, e com introduções mais rápidas. Letras com frases de efeito e vocabulário simples se tornaram comuns, facilitando a reprodução e aumentando o alcance. O mercado musical agora prioriza músicas que podem viralizar, em vez de se preocupar apenas com a arte. O lançamento de singles se tornou mais comum, enquanto a criação de álbuns diminuiu. Artistas enfrentam pressão das gravadoras para criar músicas com potencial de viralização, como aconteceu com a cantora Halsey, que foi ameaçada de ter seu lançamento barrado se não seguisse essa tendência. A influência do TikTok é evidente na música e na vida cotidiana, mudando a forma como as canções são feitas e promovidas.
Nos últimos anos, o TikTok se consolidou como uma das maiores redes sociais do mundo, com mais de 1,6 bilhão de usuários ativos. Sua dinâmica de vídeos curtos e entrega rápida de conteúdo gera um compartilhamento muito maior do que em outras plataformas de vídeo, como o youtube por exemplo. Esse formato afeta também o universo da música, já que muitas faixas ganham destaque ao serem usadas em tendências virais — principalmente danças. Com o tempo, esse uso em grande escala passou a influenciar não só a forma de divulgação, mas também o modo como as músicas são criadas.
De acordo com uma pesquisa da Music Business Worldwide, em 2024 mais de 80% das músicas presentes no top 200 da Billboard em 2024 viralizaram no Tiktok antes, enquanto 12% foram compartilhadas em massa logo depois de entrarem no ranking, o que evidencia o impacto dessa rede social no consumo dessa arte.
Como as músicas mudaram?
A estrutura musical vem sendo moldada em escala global por influência da plataforma, já que viralizar se tornou sinônimo de conquistar espaço em um mercado altamente competitivo. Isso é ainda mais evidente entre novos artistas, que passaram a apostar em formatos pensados para aumentar as chances de viralização.
A duração das faixas se tornou um dos principais alvos de mudança, agora reduzidas para cerca de 1min30s a 2min30s, com o objetivo de se adaptar ao formato mais curto do TikTok. As introduções também foram encurtadas, dando lugar imediato a trechos com mais impacto, o que alimenta à busca por estímulos rápidos, característica reforçada pela plataforma. Pelo mesmo motivo, muitos refrões passaram a aparecer logo no início das músicas.
As letras também sofreram mudanças por influência do TikTok, ainda que a estrutura melódica siga como o principal foco. Frases de efeito, repetidas com frequência, tornaram-se comuns nesse modelo pensado para viralizar, com trechos que grudam na cabeça e ampliam o alcance tanto da música quanto do artista — embora músicas “chiclete” existam muito antes da plataforma. O vocabulário também foi simplificado para aumentar o alcance ao público e permitir que qualquer um consiga reproduzi-las com facilidade. Além disso, o aspecto visual tem um grande peso: letras que se encaixam em danças, memes ou atuações curtas ajudam a gerar mais vídeos e engajamento.
A influência no mercado músical
Todo esse impacto na criação musical abriu espaço para um mercado que prioriza a fórmula da música viral em vez da preocupação artística. Isso porque um hit no TikTok costuma gerar muito mais retorno financeiro do que produções mais elaboradas, com estruturas diferentes das que são amplamente reproduzidas na plataforma.
A forma de lançar músicas também mudou. O declínio da criação de álbuns, que já vinha ocorrendo desde a ascensão dos streamings, foi ainda mais acentuado. Lançar um single exige menos custo e esforço do que produzir um álbum completo — além de permitir testar diferentes estilos em busca de um hit viral. Já os álbuns seguem uma proposta mais coesa e, por isso, correm maior risco de ter faixas que passam despercebidas.
Outro fator que afeta diretamente os artistas é a pressão das gravadoras por músicas com o potencial de viralizar. Um exemplo é o caso da cantora Halsey, que revelou ter sido ameaçada de ter seu lançamento barrado caso não aceitasse “simular um momento viral no TikTok” antes da divulgação da faixa.
É inegável o quanto essa plataforma influencia nosso cotidiano — seja para músicos ou não. O sucesso da rede é presente na rotina de milhões de usuários, enquanto o mundo da música parece cada vez mais perdido, trocando o amor pela arte, por números e visualizações que ela pode gerar.
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