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Cordel ganha reconhecimento e inaugura Academia em Santa Teresa, Rio de Janeiro

Academia Brasileira de Literatura de Cordel mapeia 22 cordeltecas e preserva a tradição com acervo de 150 mil folhetos.

Folhetos de cordel do acervo da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, em Santa Teresa, no centro do Rio (Foto: Giovana Kebian - 02.maio.2025/Folhapress)
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A Academia Brasileira de Literatura de Cordel, localizada em Santa Teresa, Rio de Janeiro, é um importante centro cultural que preserva a literatura de cordel, com um acervo de 150 mil folhetos e 12 mil títulos de autores do Brasil. Fundada na década de 1980 por Gonçalo Ferreira da Silva, a academia foi inaugurada em 1993 e oferece um espaço para cordelistas se reunirem e venderem suas obras. A academia realiza reuniões mensais e publica obras de diversos autores, além de mapear cordeltecas, que são bibliotecas especializadas no gênero, já tendo identificado 22 delas no Brasil. Madrinha Mena, esposa de Gonçalo, é uma presença constante na academia, onde recita versos e toca violão. A literatura de cordel, com suas ilustrações e temas variados, continua a influenciar novas gerações e é cada vez mais reconhecida nas escolas como uma forma de cultura e educação. A academia não só preserva essa arte, mas também fortalece a identidade cultural brasileira.

No coração de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel se destaca como um importante centro cultural. Com um acervo de 150 mil folhetos e 12 mil títulos de autores de todo o Brasil, a academia preserva e promove a rica tradição da literatura de cordel, reconhecida como patrimônio cultural pelo Iphan em 2018.

A história da academia remonta à década de 1980, quando Gonçalo Ferreira da Silva, um dos principais nomes do cordel, começou a articular sua criação. “Ninguém acreditava que pudesse dar certo”, afirma Almir Gusmão, atual presidente da entidade. A sede foi inaugurada em 1993, após a doação do espaço por Humberto Pelegrino, um admirador do gênero. A iniciativa proporcionou um local fixo para os cordelistas, que antes enfrentavam dificuldades para se reunir e vender suas obras.

Preservação e Inovação

A academia realiza plenárias mensais e edita títulos de autores de todo o país, além de alimentar as cordeltecas, bibliotecas especializadas no gênero. Atualmente, um levantamento em andamento já mapeou 22 cordeltecas no Brasil, principalmente no Nordeste. “O Gonçalo falava em 36 cordeltecas, mas nunca deixou isso por escrito”, explica Gusmão.

Madrinha Mena, esposa de Gonçalo, é uma presença constante na sede, recitando versos e tocando violão. Aos 74 anos, ela relembra os desafios enfrentados na venda dos cordéis na Feira de São Cristóvão. “Era uma época muito difícil”, recorda.

Impacto Cultural

A literatura de cordel, com suas ilustrações e temas variados, como história e ciência, continua a influenciar novas gerações. Joseilda Souza Diniz, pesquisadora da área, destaca a importância das cordeltecas para a transmissão da tradição oral. “Hoje o cordel entra na escola e é visto como cultura e educação”, afirma.

A Academia Brasileira de Literatura de Cordel não apenas preserva uma forma de arte, mas também fortalece a identidade cultural brasileira, garantindo que a tradição do cordel permaneça viva e relevante.

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