Gabriella Di Laccio, uma soprano brasileira que vive em Londres, recebeu a Ordem do Império Britânico por seu trabalho na música e na igualdade de gênero. A honraria foi aprovada pelo rei Charles e chegou a ela em uma carta do Palácio de Buckingham. Gabriella, que fundou a Fundação Donne para aumentar a presença feminina na música clássica, enfrentou dificuldades ao se adaptar ao ambiente musical britânico, mas aprendeu a valorizar sua espontaneidade. Sua fundação surgiu após descobrir a sub-representação de compositoras na música clássica, e atualmente apenas 7,5% das obras programadas para a temporada 2023-2024 são de mulheres. Ela também organizou um concerto recorde de 26 horas, apresentando apenas obras de compositoras e artistas não binários. Gabriella continua sua luta por igualdade de gênero na música, enquanto faz um doutorado na York St. John University, focando no poder transformador da música.
Gabriella Di Laccio, soprano gaúcha radicada em Londres, foi condecorada com a Ordem do Império Britânico pelos serviços prestados à música e à igualdade de gênero. A honraria, aprovada pelo rei Charles, chegou em uma carta do Palácio de Buckingham, que a artista leu duas vezes para acreditar.
Gabriella, que vive na Inglaterra há mais de 20 anos, é a fundadora da Fundação Donne, que promove a presença feminina na música clássica. O projeto, iniciado em 2018, se tornou uma plataforma reconhecida internacionalmente. A soprano relembra sua trajetória, desde a infância em Canoas, onde não tinha acesso a um piano, até sua formação na Escola de Música e Belas Artes do Paraná e no Royal College of Music.
Trajetória e Desafios
A artista enfrentou desafios culturais ao se adaptar ao ambiente musical britânico. Gabriella conta que, nos primeiros meses em Londres, frequentemente se via confusa com o idioma e as normas sociais. Com o tempo, aprendeu a valorizar sua espontaneidade e a se libertar das expectativas europeias.
A fundação que criou, Donne, surgiu após sua pesquisa sobre compositoras esquecidas. Gabriella encontrou a Enciclopédia Internacional das Mulheres Compositoras, que a fez perceber a sub-representação feminina na música clássica. Hoje, a fundação busca diversificar o repertório das orquestras, embora a pesquisa mais recente mostre que apenas 7,5% das obras programadas para a temporada 2023-2024 foram compostas por mulheres.
Impacto e Reconhecimento
Gabriella também fez história ao promover o mais longo concerto de música acústica ao vivo, com duração de 26 horas, 18 minutos e 57 segundos, apresentando apenas obras de compositoras e artistas não binários. Ela destaca a importância de contar histórias esquecidas, como a de Ilse Weber, uma compositora judia que morreu em Auschwitz.
A soprano continua sua luta por igualdade de gênero na música, mesmo diante de desafios financeiros e culturais. Ela está atualmente fazendo um doutorado na York St. John University, explorando a capacidade transformadora da música. Gabriella permanece motivada pela gratidão de quem a apoia, reafirmando seu compromisso com a causa.
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