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Zózima Trupe celebra 18 anos com espetáculo em homenagem a ativistas da diversidade

Zózima Trupe estreia espetáculo em 2025, abordando interseccionalidade e exclusão social em locais públicos com entrada gratuita.

Foto: Reprodução
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  • A Zózima Trupe, grupo teatral brasileiro que utiliza ônibus como palco desde 2007, estreia em 2025 o espetáculo “A (Ré)tomada da Palavra ou A Mulher que Não se Vê”.
  • A peça celebra os 18 anos da companhia e aborda a exclusão social e opressões contemporâneas, focando na interseccionalidade entre racismo, capacitismo e machismo.
  • A narrativa inicia com uma mulher negra em cadeira de rodas que é ignorada por um motorista de ônibus, simbolizando desigualdades no transporte público.
  • O espetáculo dialoga com a resistência de Rosa Parks e a ativista brasileira Flávia Diniz, destacando a intersecção de violências sociais.
  • As apresentações ocorrerão em locais públicos, como o Terminal Parque Dom Pedro 2º e a Praça Franklin Roosevelt, com entrada gratuita.

A Zózima Trupe, grupo teatral brasileiro que utiliza o ônibus como palco desde 2007, estreia em 2025 o espetáculo “A (Ré)tomada da Palavra ou A Mulher que Não se Vê”. A peça, que celebra os 18 anos da companhia, aborda a exclusão social e as opressões contemporâneas, focando na interseccionalidade entre racismo, capacitismo e machismo.

A narrativa começa com uma cena impactante: uma mulher negra em cadeira de rodas acena para um ônibus, mas é ignorada pelo motorista. Essa imagem, segundo o diretor Anderson Maurício, evoca memórias de violência histórica, como os navios negreiros, e destaca como o transporte público perpetua desigualdades. A história gira em torno de Rosa, uma trabalhadora da limpeza que testemunha essa exclusão e, ao tentar ajudar, encontra apenas uma cadeira de rodas vazia.

Referências Históricas

O espetáculo estabelece um diálogo entre a resistência de Rosa Parks, que em 1955 se recusou a ceder seu lugar no ônibus, e a trajetória da ativista brasileira Flávia Diniz. Diniz, mulher negra e com deficiência, foi uma voz importante no coletivo Vidas Negras com Deficiência Importam. Maurício destaca que a peça busca mostrar como as violências se entrelaçam, abordando questões de racismo, capacitismo, machismo e pobreza.

Dados da SPTrans revelam que 57% dos passageiros de ônibus são mulheres jovens e negras, e 70% dependem exclusivamente do transporte coletivo, evidenciando as desigualdades no acesso ao trabalho remoto. O espetáculo critica o sistema capitalista que, segundo Maurício, transforma a mulher negra em uma “Atlas contemporânea”, sobrecarregada de responsabilidades.

Crítica e Inclusão

Durante o processo criativo, a Zózima Trupe enfrentou um paradoxo: ao incluir uma cadeira de rodas no palco, perceberam que espectadores com deficiência não teriam acomodação adequada. Essa contradição foi incorporada à dramaturgia, reforçando a crítica ao sistema. A trilha sonora, composta por Victória dos Santos e Aworonke Lima, mistura referências africanas e urbanas, criando uma atmosfera envolvente.

O espetáculo será apresentado em locais públicos, como o Terminal Parque Dom Pedro 2º e a Praça Franklin Roosevelt, com programação gratuita. A Zózima Trupe reafirma seu compromisso com uma arte que provoca reflexão e ocupa espaços públicos, celebrando a potência do cotidiano e a resistência.

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