- A Polifônica Cia. estreia a peça “Deserto” em São Paulo no dia 18 de julho de 2025, celebrando dez anos de atividades.
- A companhia, fundada em 2015, é conhecida por suas adaptações de obras de Roberto Bolaño.
- “Deserto” apresenta uma narrativa não linear, utilizando monólogos fragmentados e projeções de texto.
- A peça “Eddy — Violência & Metamorfose” continua em cartaz no Rio de Janeiro, abordando temas de violência.
- A Polifônica planeja uma nova adaptação, “Banzeiro”, para 2026, mantendo seu foco na interseção entre literatura e teatro.
A Polifônica Cia. celebra uma década de atividades com a estreia de “Deserto” em São Paulo, marcada para 18 de julho de 2025, e a continuidade de “Eddy — Violência & Metamorfose” no Rio de Janeiro. O grupo, fundado em 2015 pelo diretor Luiz Felipe Reis e a atriz Julia Lund, é reconhecido por suas adaptações inovadoras de obras literárias contemporâneas, especialmente as de Roberto Bolaño.
A nova produção, “Deserto”, explora a obra de Bolaño de forma não linear, criando um mosaico cênico que mistura escritor e personagem. A encenação utiliza monólogos fragmentados, projeções de texto e movimentos em slow motion, refletindo a estética do autor chileno. O espetáculo já recebeu três indicações ao prêmio APTR e uma ao prêmio Shell, evidenciando sua relevância no cenário teatral.
“Eddy — Violência & Metamorfose”, em cartaz no Teatro Poeira, também aborda a violência, um tema central na pesquisa da companhia. Com atuações de João Côrtes, Julia Lund e Igor Fortunato, a peça dialoga com montagens anteriores, como “Amor em Dois Atos” e “Tudo que Brilha no Escuro”. A Polifônica busca criar um espaço onde a literatura e o teatro se encontrem em pé de igualdade.
Luiz Felipe Reis destaca que o projeto “Deserto” nasceu do fascínio pela obra de Bolaño, especialmente por “Os Detetives Selvagens” e “2666”. O diretor menciona a tensão entre criação e destruição como um tema central. O ator Renato Livera, protagonista da peça, enfatiza a importância de refletir sobre a condição humana e a ressignificação da vida através da arte.
A encenação radicaliza a ambiguidade da obra de Bolaño, utilizando recursos visuais e sonoros que questionam a autoria. A interação entre o ator e sua imagem filmada ao vivo exemplifica essa construção. A linguagem visual do espetáculo dialoga com o cinema, refletindo a obsessão de Bolaño por dispositivos de registro.
A Polifônica já planeja “Banzeiro”, uma adaptação do livro de Eliane Brum, prevista para 2026. O grupo continua a prosperar no cenário cultural brasileiro, mantendo viva a pergunta sobre como transformar grandes narrativas em experiências cênicas relevantes para o presente.
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