- Leandro de Souza, bailarino e coreógrafo, explora a negritude e o racismo na dança contemporânea.
- Seu espetáculo “Eles Fazem Dança Contemporânea” foi selecionado para a Mostra Paralela do Festival de Avignon, na França.
- A obra critica a marginalização do corpo negro na dança e destaca a importância da presença negra nas artes.
- Souza utiliza a frase “Am I black enough for you?” como um mantra, questionando a identidade racial.
- O espetáculo já foi exibido na MITsp e busca afirmar a diversidade na dança, propondo uma reflexão sobre a representação do corpo negro.
Leandro de Souza é um bailarino e coreógrafo que aborda a negritude e o racismo na dança contemporânea. Seu espetáculo “Eles Fazem Dança Contemporânea” foi selecionado para representar o Brasil na Mostra Paralela do Festival de Avignon, na França. A obra, que critica a marginalização do corpo negro na dança, destaca a importância da presença negra nas artes.
No espetáculo, Souza questiona a identidade racial com a frase “Am I black enough for you?”, um verso de uma canção dos anos 1970. O artista utiliza um cenário que remete ao cubo branco das galerias de arte, repetindo a pergunta em um formato que se torna mantra. A performance não se limita à dança, mas dialoga com as artes plásticas e a performance, refletindo sobre a complexidade do tema.
“Muitas vezes, os bailarinos negros são vistos mais pela imagem da negritude do que pela arte que executam,” afirma Souza. Ele busca desafiar essa percepção, propondo uma reflexão sobre a fisicalidade associada ao corpo negro. A obra é marcada por gestos contidos e interações com pilhas de cabelos crespos artificiais, que simbolizam a diáspora e a luta contra a opressão.
A progressão do espetáculo é visível também na vestimenta de Souza, que inicia com um moletom e, ao longo da apresentação, se despindo, confronta sua própria nudez. “Os cabelos crespos são uma experiência simbólica da diáspora,” explica. Desde 2018, Souza tem se dedicado a criar solos, mas “Eles Fazem Dança Contemporânea” é o trabalho que mais tem apresentado, destacando-se como uma obra que transcende fronteiras e questiona as convenções da dança.
O espetáculo, que já foi exibido na MITsp, é uma afirmação da diversidade na dança e um convite à reflexão sobre a representação do corpo negro nas artes. “Quero mostrar que há espaço para esse tipo de coreografia no Brasil,” conclui Souza, reafirmando seu compromisso com a arte e a crítica social.
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