Escrever é muito mais do que juntar palavras; é emocionar, fazer rir, chorar e refletir. O Dia Nacional do Escritor, criado em 1960, celebra esses profissionais que usam a escrita para transformar vidas. A escrita surgiu há mais de cinco mil anos e permitiu que a humanidade registrasse sua história e conhecimentos. Sem ela, não teríamos ciência, filosofia ou literatura. O escritor traduz o mundo em palavras, seja na ficção ou na não ficção, e seu trabalho é criar sentido em meio ao caos. No Brasil, o hábito de leitura está em queda, com 6,7 milhões de leitores a menos desde 2019. Hoje, a média é de apenas 3,96 livros por ano, e muitos não leem por falta de interesse ou tempo. Apesar disso, a internet, especialmente o movimento BookTok, tem aproximado jovens dos livros, promovendo uma nova forma de engajamento literário. Ser escritor hoje é também resistir à desvalorização da cultura e acreditar no poder das palavras.
A importância da profissão do escritor vai muito além de juntar palavras num papel. Escrever é emocionar, provocar, consolar. É fazer rir, chorar, refletir. É contar histórias reais — que doem ou ensinam — e também criar mundos imaginários onde tudo é possível. O escritor oferece abrigo em meio ao caos, companhia nas dores silenciosas e leveza nas rotinas pesadas. Às vezes, basta um verso, um conto ou uma frase certeira para mudar o dia de alguém. Como disse o jornalista e autor Isaac Babel: *“Nenhum ferro pode penetrar no coração humano de maneira tão gélida como um ponto colocado no momento exato.”*
Como a escrita moldou a civilização
O Dia Nacional do Escritor foi instituído em 1960, durante o I Festival do Escritor Brasileiro, promovido pela União Brasileira de Escritores. A data homenageia os profissionais que fazem da linguagem escrita uma ferramenta de transformação.
Surgida há mais de cinco mil anos, a escrita permitiu à humanidade ultrapassar os limites da oralidade e registrar com precisão sua história, saberes e leis. O famoso Código de Hamurabi, gravado em pedra no século XVIII a.C., é um dos primeiros exemplos de normas escritas e acessíveis ao público. A partir daí, civilizações como gregos, romanos e egípcios passaram a registrar tratados, mitologias, transações comerciais e até receitas culinárias.
Com a escrita, a memória humana deixou de depender da fragilidade da lembrança oral e passou a ser armazenada em tábuas, papiros, pergaminhos, livros — e, mais recentemente, arquivos digitais. Ela organizou civilizações, fortaleceu a cidadania, disseminou conhecimento e deu forma à cultura como a conhecemos. Sem a escrita, não haveria ciência, filosofia, jornalismo nem literatura. Não haveria história.
Mais do que uma tecnologia, a escrita é a base da experiência humana compartilhada. E foi a partir dessa capacidade de registrar o mundo que nasceram os escritores — aqueles que não apenas narram, mas também interpretam, reinventam e desafiam o real.
O que faz um escritor?
Ser escritor é, acima de tudo, traduzir o mundo em palavras. É transformar ideias, sensações, memórias e questionamentos em textos que tocam, informam ou provocam. Pode ser jornalista, roteirista, cronista, dramaturgo, romancista, poeta, ensaísta — todos com a missão de construir pontes entre a experiência individual e o imaginário coletivo.
É um ofício que exige escuta, observação, disciplina e uma certa dose de coragem. Coragem para nomear o que muitos não sabem dizer, para mergulhar no desconhecido, para lidar com o silêncio e com a dúvida. O escritor percorre a linguagem como um artesão: lapida frases, escolhe palavras, reorganiza ideias até que o texto encontre seu ritmo, sua força, sua verdade.
O escritor atua tanto na ficção, criando mundos possíveis e impossíveis, quanto na não ficção, analisando, relatando e refletindo sobre o que é concreto. Em ambos os casos, seu papel é o de oferecer ao leitor novas formas de ver e sentir a realidade.
Mais do que produzir conteúdo, o escritor cria sentido. Num mundo saturado de estímulos, seu trabalho também é organizar o caos, provocar pensamento crítico e, às vezes, consolar. É por isso que muitos escritores são considerados cronistas de seu tempo: suas obras capturam o espírito de uma época, documentam angústias e desejos de uma geração, preservam memórias e anunciam futuros possíveis.
O desafio do hábito de leitura no Brasil
Apesar da relevância dos escritores e da produção literária nacional, os números relacionados ao hábito de leitura no Brasil acendem um sinal de alerta. A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, em sua sexta edição (2024), revelou um dado preocupante: o país perdeu 6,7 milhões de leitores desde 2019. Em comparação com 2015, são mais de 11 milhões a menos. Pela primeira vez desde 2007, o número de não leitores supera o de leitores no Brasil.
Hoje, o brasileiro lê em média apenas 3,96 livros por ano, o menor índice já registrado. E o dado se torna ainda mais crítico ao considerarmos que, desse total, menos de um livro é lido por influência da escola. O desinteresse também cresce: quase um terço dos não leitores afirma simplesmente não gostar de ler, enquanto outros dizem não ter paciência ou preferem outras atividades — sobretudo navegar na internet.
As causas desse declínio são diversas e interligadas: escolas com pouca força formativa, ausência de bibliotecas, falta de políticas públicas contínuas, empobrecimento da população, esgotamento mental e falta de tempo livre. E se as pessoas não leem, que futuro têm os escritores?
A internet que separa… também aproxima
Se, por um lado, a vida digital pode afastar os leitores, por outro, ela também tem sido a ponte entre os jovens e os livros. O BookTok, movimento surgido dentro do TikTok, reúne uma comunidade global que recomenda obras por meio de vídeos curtos, criativos e emocionalmente engajados.
A hashtag #BookTok já acumula mais de 215 bilhões de visualizações, e a versão brasileira, #BookTokBrasil, ultrapassa 20 bilhões. O impacto é tanto que livrarias passaram a incluir seções específicas com os “livros do TikTok”, enquanto editoras e autores firmam parcerias com influenciadores literários — os chamados booktokers — para promover lançamentos.
Mais do que uma tendência de marketing, o BookTok democratiza o acesso à crítica literária e renova o entusiasmo por livros entre o público jovem. Para discutir esse novo cenário de escrita e tecnologia, o Portal Tela entrevistou o escritor Landulfo Almeida: [Os novos capítulos da literatura brasileira](https://www.portaltela.com/entretenimento/cultura/2025/07/25/os-novos-capitulos-da-literatura-brasileira) . Confira a matéria especial.
Palavras como forma de resistência
Ser escritor, hoje, é também resistir. Resistir ao ruído das redes, à desvalorização da cultura, ao esquecimento. É acreditar que a palavra ainda tem poder. Que a leitura ainda tem espaço. Que as histórias ainda importam.
Enquanto houver alguém disposto a contar histórias, sempre haverá leitores esperando para escutá-las.
Feliz Dia do Escritor!
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