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Os novos capítulos da literatura brasileira

A trajetória de Landulfo Almeida revela os desafios e oportunidades da literatura nacional em tempos de autopublicação e influência digital

Imagem: Portal Tela
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Landulfo Almeida, nascido em Brasília em 1968 e morador de Salvador, se tornou escritor após uma carreira como engenheiro e executivo. Formado em Engenharia Elétrica e com pós-graduação em Marketing, ele começou a escrever quando passou a trabalhar em casa, criando pequenas histórias até completar um romance. Ele publicou livros independentes e ajudou a promover a literatura nacional, participando de iniciativas como o projeto Eu Leio Brasil e o canal de entrevistas Na Mira dos Autores no YouTube. Landulfo acredita que a leitura digital e as redes sociais tornaram o acesso à literatura mais democrático, permitindo que autores independentes ganhem visibilidade. No entanto, ele observa que as grandes editoras ainda preferem títulos internacionais. Apesar das dificuldades, ele vê novas oportunidades com a autopublicação e o crescimento de nichos literários. Conhecido por seus thrillers, Landulfo tem um processo de escrita cuidadoso, planejando cada capítulo e consultando especialistas para garantir a precisão técnica. Ele destaca que o hábito de ler é influenciado pelos pais e que a leitura em família pode despertar o interesse dos filhos. Landulfo percebe uma divisão no cenário literário brasileiro entre leitores engajados online e aqueles que não conhecem autores contemporâneos, e acredita que é importante criar conexões entre esses grupos. Neste Dia do Escritor, celebramos sua trajetória e a de outros autores brasileiros, refletindo sobre como valorizar a literatura nacional e usar a tecnologia para unir escritores e leitores.

De engenheiro a contador de mundos

Nascido em Brasília em 1968 e radicado em Salvador, Landulfo Almeida trilhou um longo caminho até se reconhecer como escritor. Formado em Engenharia Elétrica e pós-graduado em Marketing de Serviços, trabalhou como engenheiro de software, professor, empresário e executivo. Foi apenas quando passou a trabalhar de casa que encontrou tempo para escrever, inicialmente pequenas histórias — até que surgiu um romance completo.

“A hora que eu terminei, eu disse: ‘Poxa, fiz esse negócio aqui’. Mostrei para alguns amigos e ouvi de um deles: ‘Você é um escritor’. Foi aí que a ficha caiu”, relembra.

Além de publicar livros independentes, ele também atuou como divulgador da literatura nacional: teve participações no *Eu Leio Brasil*, comunidade voltada à valorização da nova literatura brasileira, especialmente no universo dos romances; e comandou, ao lado de dois colegas, o canal de entrevistas *Na Mira dos Autores* no YouTube, onde conversou com nomes como Eduardo Spohr, Patrícia Barboza e Tammy Luciano.

Livros, likes e algoritmos

Na visão de Landulfo, a popularização da leitura digital e das redes sociais criou um ambiente mais democrático para autores e leitores. Plataformas como Instagram e TikTok ajudaram a formar nichos apaixonados por literatura e ofereceram visibilidade a escritores independentes.

“Hoje você consegue colocar seu livro na Amazon, participar de clubes de leitura online e interagir diretamente com quem te lê. Isso cria um senso de comunidade e engajamento que antes era impensável”, explica. Ainda assim, ele reconhece: “Para as grandes editoras, a popularidade nas redes sociais muitas vezes pesa mais do que o conteúdo do livro.”

Como é escrever no Brasil

Landulfo conhece de perto as dificuldades de viver da literatura no Brasil. “A maioria das editoras prefere apostar em títulos internacionais ou autores que já chegam com público formado”, afirma. Ainda assim, acredita que o avanço do digital, as ferramentas de autopublicação e as redes sociais têm aberto novas possibilidades.

Segundo ele, o mercado se transformou. “Hoje temos autores que vivem de literatura, especialmente em nichos como o romance hot, que vendeu 2,5 milhões de e-books só em 2025. Mas ainda faltam prêmios, apoio e visibilidade para outros gêneros.”

**O processo criativo como engenharia narrativa**

Conhecido por seus thrillers investigativos e tramas intricadas, Landulfo revela um processo de escrita meticuloso. Ele planeja cada capítulo com antecedência, desenvolve roteiros detalhados e mantém um arquivo com todas as características dos personagens e locais de seus livros.

“Meus livros são como um quebra-cabeça. Tudo precisa se encaixar no final. Escrever sem roteiro, para mim, é impossível”, diz. O autor também se apoia em uma rede de amigos especialistas — médicos, engenheiros, profissionais de diferentes áreas — para garantir precisão nos detalhes técnicos de suas histórias.

**A influência dos pais e o futuro da leitura**

Para Landulfo, o gosto pela leitura nasce em casa. Ele destaca dados da 6ª edição da pesquisa *Retratos da Leitura no Brasil*, segundo os quais pais e mães são os principais influenciadores do hábito de ler. “Se formos lendo menos e estimulando menos nossos filhos, esse hábito pode se perder”, alerta.

A leitura de *Harry Potter* em família foi o ponto de partida para despertar o gosto da filha por livros. “A gente jantava e lia um capítulo por noite. Depois disso, ela leu a saga toda sozinha, mais de uma vez”, conta.

**Um país, dois mundos literários**

Landulfo enxerga uma divisão clara no cenário literário nacional: de um lado, leitores engajados em comunidades literárias digitais; do outro, uma grande parcela da população que sequer conhece autores brasileiros contemporâneos.

“Falta uma ponte entre esses dois mundos. Toda vez que um veículo se propõe a aproximar essas realidades, é um passo importante”, conclui. Com três livros publicados e décadas de paixão por ficção científica e mistério, Landulfo segue construindo histórias que, mais do que entreter, convidam à reflexão.

Neste Dia do Escritor, celebramos e compartilhamos a trajetória de Landulfo — e de tantos outros autores brasileiros, de todos os nichos, famosos ou desconhecidos. Que possamos repensar as formas de valorizar nossa literatura e usar a tecnologia como aliada para construir novas pontes entre escritores e leitores.

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