A temporada de morangos, que deveria ser mais barata, teve um aumento de preços inesperado. Em São Paulo, o preço da caixa de morangos subiu de R$ 27 para R$ 48 em menos de um mês, uma alta de 77%. Isso aconteceu por causa do “morango do amor”, um doce que se parece com a maçã do amor, mas usa morango e tem um recheio cremoso. A receita começou a ganhar popularidade nas redes sociais, especialmente após um vídeo viral de uma confeiteira que quebrou um dente ao morder o doce. Os pedidos aumentaram de 11 mil em junho para 275 mil em julho, fazendo com que os morangos desaparecessem das prateleiras. O sucesso do doce se deve a uma combinação de fatores, como a safra de inverno e a influência das redes sociais. As buscas pela receita aumentaram muito, mas os preços continuam altos. A origem do “morango do amor” é disputada, com algumas fontes creditando a criação a uma confeitaria de Salvador em 2020, mas já existiam referências ao doce antes disso, e morangos caramelados são populares em outros países há muito tempo.
O que era para ser a temporada mais barata para o morango — fruta típica do inverno brasileiro — virou palco de inflação relâmpago. E o culpado (ou o queridinho) da vez tem nome: morango do amor.
De acordo com a Ceagesp, o preço médio da caixa de morangos em São Paulo saltou de R$ 27 no dia 1º de julho para R$ 48 no dia 28, um aumento de 77% em menos de um mês. A alta surpreendeu até os feirantes, que viram o custo subir justamente no auge da colheita, quando o normal seria o oposto: mais morangos no mercado, preços mais baixos. Mas bastou uma trend para bagunçar tudo.
O que é o “morango do amor” e por que ele viralizou?
Visualmente, o doce lembra a clássica maçã do amor, mas com morango no lugar da maçã e um recheio cremoso no lugar do palito. Pode ser feito com ganache, brigadeiro branco ou creme de baunilha, e é coberto com uma camada fina e crocante de caramelo. Uma explosão de textura — e, aparentemente, também de engajamento.
A receita começou a aparecer timidamente em vídeos no TikTok e Instagram, mas explodiu mesmo em meados de julho, quando a confeiteira Camila Moreira, de Jacareí (SP), publicou um vídeo experimentando o doce. No susto, quebrou um dente ao tentar morder o caramelo duro demais. O vídeo viralizou como o “morango do ódio” e deu início à febre.
Entre memes, reações exageradas e desafios para testar o doce, os pedidos dispararam: de 11 mil em junho para 275 mil em julho, segundo dados do iFood. Em poucos dias, os morangos sumiram das prateleiras e encheram os stories.
Uma tempestade perfeita: trend, safra e meme
O sucesso do doce foi impulsionado por uma combinação improvável: inverno (época da safra do morango), festas juninas (de onde vem a inspiração da maçã do amor) e redes sociais sedentas por novidades doces e fotogênicas.
Influenciadores do Brasil todo entraram na trend, alguns testando receitas, outros reagindo ao gosto, e vários transformando o “morango do amor” em piada. Tudo isso gerou o que economistas chamam de “demanda artificial”: um pico repentino, movido mais por desejo coletivo do que por necessidade real.
O Google mostrou isso em números. As buscas pela receita dispararam a partir do dia 21 de julho, com pico no dia 26. E, mesmo com a procura começando a cair, os preços ainda não deram trégua.
Afinal, de onde veio essa ideia?
A autoria é disputada. Algumas versões apontam para a Priscilla Diniz, uma confeitaria de Salvador que teria criado a receita em 2020. Outros registros mostram menções ao doce bem antes disso, como um blog de culinária de 2011 que já ensinava o passo a passo do “morango do amor”.
Fato é que, muito antes da trend, morangos caramelados já faziam sucesso em países como China e Coreia do Sul, vendidos em feiras como lanche de rua há séculos. O Brasil só precisava de um empurrãozinho — e de um bom vídeo viral — para transformar o costume em febre.
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