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Amizades na vida adulta: como cuidar, quando insistir, por que deixar ir

Relações de alta e baixa manutenção, o impacto da pandemia e o luto silencioso do fim de uma amizade mostram como os vínculos mudaram

Imagem: Portal Tela
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  • Amizades podem ser intensas e complexas, exigindo cuidado e atenção.
  • Relações são classificadas como de alta ou baixa manutenção, dependendo da energia e tempo que demandam.
  • A pandemia de 2020 afetou a forma como nos relacionamos, enfraquecendo alguns laços e fortalecendo outros.
  • O fim de uma amizade pode ser doloroso e muitas vezes é ignorado, mas é importante reconhecer e lidar com essa dor.
  • Para fortalecer amizades, é essencial tomar a iniciativa, valorizar encontros simples e respeitar os espaços de cada um.

Você provavelmente já viveu aquele reencontro cheio de afeto com uma amiga que não via há meses, mas que pareceu não ter passado um dia. Também já deve ter olhado uma notificação de mensagem e pensado: “vou responder depois” porque estava sem ânimo para interagir com aquela pessoa. Ou então talvez até já tenha encerrado alguma amizade em silêncio — sem brigas, sem despedidas, apenas a ausência tomando o lugar da convivência.

Falar de amizade é, sim, falar de afeto, presença, luto, rotina, expectativas e amor. Mas, por algum motivo, seguimos tratando esse tipo de laço como algo menor, mais leve ou menos complexo do que os relacionamentos românticos. E não é.

Algumas amizades atravessam décadas, outras se constroem em poucos meses com uma intensidade quase absurda. Algumas pedem constância. Outras sobrevivem no tempo rarefeito de uma call rápida ou uma figurinha enviada no meio da tarde. Nenhuma é menor do que a outra, mas todas exigem cuidado.

Alta ou baixa manutenção? Eis a questão

Quem nunca viveu uma amizade “Meredith e Cristina” de *Grey’s Anatomy*, onde o afeto precisa de presença constante, conversas diárias e a certeza de que “you’re my person”? Por outro lado, tem amizade que é tipo Harry Styles e James Corden, que independente de distância e tempo, o elo segue vivo na memória e na forma de existir.

Nas redes sociais, as relações de amizade vêm sendo rotuladas como de alta ou baixa manutenção. Os termos definem o quanto de energia, tempo e constância cada vínculo exige. Amizades de alta manutenção pedem presença, mensagens frequentes, lembrança de datas, planos conjuntos, mimos. De baixa manutenção, por outro lado, são aquelas mais espaçadas, onde semanas ou meses sem contato não diminuem o carinho.

Ambas funcionam — *se houver acordo*. O problema é quando os níveis de entrega são diferentes: alguém espera ser lembrado e não é. Alguém considera natural o sumiço e o outro sente abandono.

Na vida adulta, é comum que cada pessoa esteja mergulhada em sua própria rotina, priorizando carreira, autocuidado ou relacionamentos afetivos. Mas, em meio a essa correria, vale se perguntar com honestidade: será que estamos realmente cuidando das nossas amizades ou apenas deixando essas relações no modo avião?

Desaprendemos a conviver?

A pandemia de 2020 marcou um ponto de virada. Isolamento, medo, chamadas de vídeo no lugar de abraços, rotinas completamente ressignificadas. Muitos laços se enfraqueceram. Outros, surpreendentemente, se fortaleceram.

E muita gente não voltou a se relacionar como antes. “Será que desaprendemos a conviver?”, perguntam usuários nas redes. A resposta talvez esteja na vulnerabilidade coletiva que atravessamos. Quem se reaproximou, aprendeu a valorizar encontros simples. Quem se afastou, teve dificuldade em retomar conexões perdidas.

Ficamos mais seletivos. Mais cansados. Mais ansiosos. E, por vezes, menos dispostos a investir energia em relações que já não pareciam nos caber mais.

Quando uma amizade acaba

A amizade entre Taylor Swift e Karlie Kloss virou quase uma lenda pop: intensa, pública e misteriosamente encerrada — um lembrete de que até amizades grandiosas também podem ter fim. E tudo bem. Como nas séries que amamos, nem toda personagem permanece até o último episódio.

Talvez o maior tabu seja esse: o fim das amizades. A gente aprende desde cedo a superar términos amorosos com filmes, sorvete e conselhos de amigas. Mas quando uma amizade termina, a dor é silenciosa, e muitas vezes ignorada.

E dói. Dói quando a pessoa que sabia tudo da sua vida some. Quando aquela conversa diária vira silêncio. Quando o grupo de mensagens se desfaz e ninguém sabe o motivo. Quando o último “vamos marcar” nunca acontece.

Lidar com esse tipo de luto exige o mesmo que qualquer outro rompimento: nomear a dor, entender o que foi vivido, aceitar que alguns ciclos precisam terminar e reconhecer que você merece estar onde há reciprocidade.

Estar presente é o que conta

No fim das contas, amizade é sobre qualidade, não só sobre quantidade. Se o tempo está escasso, a chave está em torná-lo valioso. Um café rápido com o celular no bolso, uma ligação sem pressa, uma mensagem dizendo “pensei em você hoje” podem fazer toda a diferença.

Tempo de qualidade é isso: atenção plena, escuta ativa, presença real. Não exige evento especial, nem turma reunida. Às vezes, uma conversa no sofá ou uma caminhada já criam memórias potentes.

Dicas para fortalecer os laços

  • Tome a iniciativa. Esperar que o outro marque sempre é um caminho curto para o afastamento.
  • Valorize os encontros simples. Eles são o que preenche a vida cotidiana.
  • Crie rituais. Um café mensal, uma série assistida juntos, um áudio de bom dia.
  • Respeite os espaços, mas não os transforme em abismos.
  • Saiba quando encerrar. Amizades também merecem ponto final quando deixam de fazer bem.

Entre silêncios, reencontros, mensagens atrasadas e encontros inesperados, amizades são um dos fios mais potentes que nos sustentam. E talvez por isso doam tanto quando se desfazem — e brilhem tanto quando florescem.

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