- O rapper L7nnon atua na novela “Dona de Mim” como Ryan, um ex-detento que busca recomeçar na vida.
- O personagem enfrenta preconceitos e a realidade da periferia, refletindo as dificuldades de reintegração social.
- L7nnon já havia atuado em clipes e filmes independentes antes de receber o convite para a novela.
- Ele destaca a identificação do público com seu personagem e a aceitação da sua nova carreira.
- Conciliar música e atuação tem sido desafiador, mas ele pretende continuar explorando a dramaturgia.
Ana Cora Lima, Rio de Janeiro – O rapper L7nnon, conhecido por suas letras que retratam a vida na periferia, agora brilha também na televisão. Ele interpreta Ryan, um ex-detento que busca recomeçar na novela “Dona de Mim”. O personagem reflete as dificuldades enfrentadas por muitos que tentam se reintegrar à sociedade, lidando com preconceitos e desconfiança.
Em sua atuação, L7nnon busca representar a dor de quem deseja uma nova chance. “A dor de perceber que o mundo já não vai te enxergar da mesma forma”, afirma. Ele destaca que muitos na periferia se envolvem com o crime por falta de oportunidades, ressaltando que a realidade é complexa e vai além do estereótipo.
A Transição para a Atuação
Embora a atuação seja uma novidade, L7nnon já havia experimentado o mundo da interpretação em clipes e filmes independentes. O convite para “Dona de Mim” foi uma surpresa. “Quando fiz o teste, pensei: ‘Será?’. Fiquei surpreso quando me ligaram confirmando”, relembra. Ele está ciente das críticas que pode enfrentar, mas acredita que há espaço para todos na arte. “Ninguém me deu o L7nnon de presente. Eu construí isso”, defende.
O rapper também compartilha suas inseguranças. “Na minha primeira aparição, pensei: ‘Não gostei’. Tive medo de transformar o que poderia ser uma bênção em maldição”, conta. No entanto, a resposta do público tem sido positiva. “Hoje, quase ninguém pergunta de música. É sempre: ‘E aí, vai sair da cadeia quando?’”, relata, divertindo-se com a identificação do público com seu personagem.
Reflexões sobre a Realidade
L7nnon destaca que a maioria das pessoas na favela é composta por sonhadores e trabalhadores, não apenas por aqueles envolvidos no tráfico. “Menos de 5% dos moradores de favela estão no tráfico”, afirma. Ele vê sua trajetória e a de Ryan como exemplos de superação. “A coisa mais injusta seria eu não acreditar na mudança de alguém”, diz.
Conciliar música e atuação tem sido desafiador. “Gravei de segunda a sexta e, no sábado, tenho dois shows. É um cansaço físico e mental tremendo, mas está valendo a pena”, revela. Essa experiência o faz considerar novos caminhos na dramaturgia, afirmando que deseja continuar aprendendo e se arriscando.
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