- Foi confirmada uma edição nacional do Tiny Desk Concert, projeto da National Public Radio (NPR) que apresenta shows intimistas.
- A produção ficará a cargo da Anonymous Content Brazil, em parceria com Amabis e NPR, com distribuição pelo YouTube Brasil.
- O lançamento ocorrerá em outubro, no escritório da Google, na Faria Lima.
- O Brasil será o terceiro país a receber uma edição fora dos Estados Unidos, após Japão e Coreia do Sul.
- O público brasileiro é o segundo que mais acompanha o Tiny Desk, destacando a importância do país na cena musical global.
Nesta semana foi confirmada uma edição totalmente nacional do *Tiny Desk Concert*, projeto da *NPR (National Public Radio)* que apresenta shows intimistas. A proposta é reunir artistas de diferentes estilos para interpretar suas músicas e se reinventar em um cenário incomum para gravações: um escritório.
A produção e curadoria dos músicos ficará a cargo da *Anonymous Content Brazil*, em parceria com a *Amabis* e a própria *NPR*, enquanto o *YouTube Brasil* será responsável pela distribuição. O lançamento está previsto para sair ainda este ano, em outubro, e será realizado no escritório da *Google*, na Faria Lima.
O Brasil será o terceiro país a receber uma edição exclusiva fora dos Estados Unidos. As outras ocorreram no Japão e na Coreia do Sul. Além disso, o público brasileiro é o segundo que mais acompanha o *Tiny Desk*, o que reforça ainda mais a importância do país não apenas para a *NPR*, mas para a cena musical global.
O que é o Tiny Desk?
O *Tiny Desk* é uma apresentação intimista realizada em um escritório, sem a estrutura grandiosa de estádios ou festivais. Nele, cabem apenas os instrumentos e artistas que puderem se acomodar entre uma mesa e prateleiras repletas de CDs, livros e vinis ao fundo
Cada artista se apresenta de uma forma única e reinventa suas faixas e instrumentalidades do seu jeito. O projeto não segue um gênero musical específico, visto que o escritório da *NPR* já recebeu nomes do rock alternativo, do rap e do pop. O diferencial está na sensação de proximidade, com apresentações ao vivo em um cenário simples, que trazem à tona a essência pura da música, muitas vezes perdida entre as enormes caixas de sons de estádios.
A ideia surgiu em 2008, criada pelos funcionários da *NPR* Bob Boilen e Stephen Thompson. Eles tiveram a inspiração após assistirem a uma apresentação da cantora folk Laura Gibson, quando perceberam que o barulho do público atrapalhava mais do que contribuía para a experiência musical e a forma de apreciar a música.
Logo após o episódio, eles convidaram a artista para se apresentar no próprio escritório da *NPR*, em Washington, capital dos Estados Unidos. Foi assim que nasceu o *Tiny Desk*, um projeto inicialmente voltado a aproximar a essência da música dos ouvintes, mas que rapidamente se tornou um fenômeno global, com mais de 3,5 bilhões de visualizações no *YouTube* e mais de 1.200 apresentações.
As maiores apresentações do Tiny Desk
Desde 2008, o *Tiny Desk* já recebeu diversos artistas de renome. Um dos primeiros grandes nomes a se apresentar no escritório da NPR foi a cantora Adele, em 2011. Ela interpretou hits como *Someone Like You* e alcançou mais de 39 milhões de visualizações no *YouTube*, se tornando uma das maiores e mais memoráveis apresentações mesmo após tanto tempo.
O rapper Mac Miller se apresentou no *Tiny Desk* em 8 de agosto, cerca de um mês antes de sua morte precoce, aos 26 anos. A apresentação se tornou uma das mais conhecidas, com um repertório baseado em três músicas: *Small Worlds*, *What’s the Use? (feat. Thundercat)* e *2009*. O show inclusive chegou a ganhar uma versão física em vinil.
Tyler, The Creator, artista que atualmente domina as paradas e que virá pela primeira vez ao Brasil no *Lollapalooza 2026*, realizou uma das maiores apresentações do Tiny Desk, com mais de 39 milhões de visualizações. Ele interpretou três músicas, número comum de faixas nos shows de escritório da *NPR*, sendo elas: *Boredom*, *Glitter* e um de seus maiores hits, *See You Again*.
Durante a pandemia, as apresentações precisaram se adaptar às regras de isolamento social causadas pela Covid-19. A rádio decidiu manter o *Tiny Desk*, mas gravando cada artista em sua própria casa. Assim nasceu o *Tiny Desk (Home)*, em que músicos e bandas se apresentavam no mesmo clima intimista do escritório, mas agora em seu próprio lar.
Essas gravações se tornaram algumas das mais populares do projeto, tanto pelos nomes que trouxeram quanto pela necessidade dos fãs de apreciarem a um show durante o período de isolamento, sem sair de casa. Artistas como Justin Bieber e Billie Eilish participaram neste formato, além da banda de K-pop BTS e da cantora pop Dua Lipa, cuja apresentação em casa se tornou a maior do *Tiny Desk*, com mais de 140 milhões de visualizações.
Embora o Brasil esteja nos holofotes do Tiny Desk agora, não é de hoje que o nosso som é reconhecido pela *NPR*. Alguns artistas do país já se apresentaram por lá: Seu Jorge em 2010, Liniker com sua antiga formação, os Caramelows, e Milton Nascimento na versão *Tiny Desk (Home)*, ao lado da cantora de jazz Esperanza Spalding.
Os rumores sobre o fim do Tiny Desk
Em maio deste ano, a *NPR* sofreu um corte significativo de verba do governo americano. Na época, Donald Trump encerrou o orçamento federal destinado à *CPB (Corporation for Public Broadcasting)*, que girava em torno de R$1 bilhão. A *CPB* por sua vez era responsável por repassar recursos à *NPR* e à *PBS (Public Broadcasting Service)*, que durante cerca de 50 anos foi a principal fonte de renda da rádio.
Por conta disso, diversos fãs do *Tiny Desk* ficaram com medo que o quadro de apresentações pudesse acabar junto com o enorme corte de verba. Porém, em Agosto, Bobby Carter, um dos criadores do *Tiny Desk*, tranquilizou a comunidade falando que os shows não iriam acabar, e reforçou o papel dos fãs com o seu apoio através de doações, que agora, mantém a empresa de pé
Com uma nova leva de apresentações vindo ao Brasil, está claro que o *Tiny Desk* continua forte como sempre, e mostrando para o mundo novos horizontes musicais (dos quais já foram um pouco explorados) que tem o poder de mostrar a relevância e a alma da música brasileira para o mundo todo.
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