- O mercado musical brasileiro movimentou R$ 116 bilhões em 2024, segundo estudo da Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima).
- Desse total, R$ 94 bilhões vieram de shows ao vivo, evidenciando a dependência dos artistas em apresentações para gerar receita.
- Apenas R$ 700 milhões foram recebidos pelos artistas, destacando a desigualdade na distribuição das receitas.
- O estudo aponta que 87,6% da receita do setor de música gravada é proveniente de streaming, com o Spotify representando cerca de 60% dessa receita.
- A pesquisa indica que 53% das empresas do setor estão no Sudeste, refletindo desigualdades regionais.
O mercado musical brasileiro alcançou R$ 116 bilhões em 2024, conforme estudo da Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima). O evento de lançamento ocorreu no Conecta+ Música & Mercado, em São Paulo. R$ 94 bilhões desse total vieram de shows ao vivo, destacando a dependência dos artistas em apresentações para gerar receita.
O estudo, intitulado “PIB da Música”, revela que a maior parte da arrecadação é proveniente de bilheteiras, patrocínios e produtos relacionados aos shows. O segmento de áudio e instrumentos gerou R$ 14,6 bilhões, enquanto o mercado fonográfico, que abrange gravação e distribuição, contribuiu com apenas R$ 3,4 bilhões. Apenas R$ 700 milhões chegaram aos artistas, evidenciando a desigualdade na distribuição de receitas.
Desigualdade na Distribuição
A pesquisa também aponta que 87,6% da receita do setor de música gravada é oriunda de streaming. O Spotify, que detém cerca de 60% da receita de assinaturas, é um dos principais responsáveis por essa dinâmica. Contudo, a divisão dos ganhos entre artistas, gravadoras e compositores limita o retorno financeiro para os criadores.
Daniel Neves, presidente da Anafima, destaca que a concentração de renda é um problema histórico na indústria musical. Ele observa que, embora o streaming democratize o acesso à música, a remuneração dos artistas ainda é insuficiente. Gabriela Azevedo, empresária e filha do cantor Geraldo Azevedo, complementa que a renda proveniente do streaming é secundária em relação aos shows.
Impacto das Plataformas Digitais
O estudo também revela que 53% das empresas do setor estão localizadas no Sudeste, refletindo a desigualdade regional. O funk, por exemplo, se beneficiou da democratização proporcionada pelas plataformas digitais, permitindo que artistas de periferias alcancem um público maior. Dodo Costa, da GR6, ressalta que a velocidade de lançamento nas plataformas pode comprometer a construção de carreiras duradouras.
A pesquisa da Anafima serve como base para discussões sobre a sustentabilidade financeira dos músicos no Brasil. A necessidade de políticas que promovam uma distribuição mais justa das receitas é evidente, visando garantir que artistas e compositores recebam uma parte equitativa do que geram.
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