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Entenda o conflito entre Bad Bunny e os conservadores dos Estados Unidos

Artista porto-riquenho que irá se apresentar na Super Bowl continua gerando polêmicas em território americano

Bad Bunny já ganhou 3 grammys - Reprodução/Instagram/@badbunnypr
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  • Bad Bunny está em evidência por sua série de shows em Porto Rico, chamada No Me Quiero Ir de Aquí, e por um conflito com conservadores dos Estados Unidos.
  • O cantor decidiu não incluir os Estados Unidos em sua turnê mundial devido a políticas anti-imigrantes do governo Trump, que resultaram em deportações em massa.
  • Ele expressou preocupação com a segurança de seu público latino, que poderia ser alvo de deportação ao comparecer aos shows.
  • Recentemente, foi anunciado como atração do show do intervalo do Super Bowl 2026, o que gerou reações negativas de figuras conservadoras, incluindo o ex-presidente Donald Trump.
  • Em resposta às críticas, Bad Bunny afirmou que sua apresentação representa uma vitória para a cultura latina e desafiou os críticos a aprenderem espanhol.

Nos últimos dias, o nome de Bad Bunny esteve em alta por dois motivos: o primeiro, e mais óbvio, é a série de shows em Porto Rico chamada *No Me Quiero Ir de Aquí*, e o segundo, que foge da música, mas não da essência do cantor, é o atrito com os conservadores dos  Estados Unidos.

Esse atrito vem de várias razões, principalmente políticas, que inclusive levaram Bad Bunny a retirar os Estados Unidos de sua turnê mundial. Junto disso ele também enfrenta críticas da própria ilha, que, por meio da ala conservadora, o persegue principalmente por valorizar a herança latina em suas músicas e performances.

Quem é Bad Bunny?

Para entender melhor as polêmicas, é preciso primeiro esclarecer quem é Bad Bunny. Benito Antonio Martínez Ocasio nasceu em 10 de março de 1994, em Vega Baja, Porto Rico. Ele começou no ramo da música de forma totalmente independente, gravando suas faixas caseiras e postando-as no SoundCloud, ainda enquanto trabalhava em um supermercado.

Logo, ele chamou a atenção da gravadora Hear This Music, que lançou suas músicas profissionalmente. Sua carreira, no entanto, decolou de verdade ao participar da faixa *I Like It*, com Cardi B e J Balvin, que chegou ao topo da *Billboard Hot 100*.

No mesmo ano da colaboração, ele lançou seu primeiro álbum, *X 100PRE*, que liderou as paradas latinas e ganhou o *Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Urbana*. Depois, lançou *El Último Tour del Mundo* (2020), o primeiro álbum totalmente em espanhol a estrear no topo da *Billboard 200*, *Un Verano Sin Ti* (2022), o álbum mais vendido nos EUA em 2022 e o mais ouvido globalmente segundo a IFPI, e *Debí Tirar Más Fotos* (2025), o primeiro a atingir 5 bilhões de streams no Spotify em menos de cinco meses.

No seu estilo musical, o artista mistura vários gêneros, tendo como base o Trap Latino, pelo qual é reconhecido como o “Rei do Trap Latino”, além de Reggaeton, Pop Latino e leves influências de rock e punk.

O cantor, que já venceu três Grammys, define um marco na história da música latina e em sua internacionalização. Hoje, o cenário musical é fortemente centrado nos Estados Unidos, seja em premiações, charts ou gravadoras, e o espaço que Bad Bunny conquistou como artista latino com letras em espanhol representa uma enorme vitória para a música latina geral.

Além disso, ele foi o primeiro artista latino a se apresentar no Coachella e será o primeiro latino a comandar o show do intervalo do Super Bowl, previsto para 2026, justamente o evento que gera grande parte das polêmicas atuais envolvendo o cantor.

O conflito de Bad Bunny e os Estados Unidos

A principal desavença entre o cantor porto-riquenho e os Estados Unidos, que inclui sua parcela conservadora da população e até figuras de poder, começou quando ele decidiu não realizar nenhum show no país durante a turnê mundial *Debí Tirar Más Fotos*, do álbum de mesmo nome.

O principal motivo dessa exclusão está nas políticas anti-imigrantes do governo Trump, que realizou deportações em massa durante o ano por meio do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Durante seu segundo mandato, mais de 142 mil imigrantes foram deportados, segundo dados de abril deste ano, e a Suprema Corte permitiu, por meio da suspensão temporária de uma ordem judicial, que agentes detivessem pessoas sem “suspeita razoável” de imigração ilegal, apenas com base na raça ou idioma.

Diante dessa situação, Bad Bunny decidiu não realizar nenhum show de sua turnê nos Estados Unidos, principalmente por saber que grande parte de seu público tem raízes latinas e poderia ser alvo de deportação ao comparecer aos shows. *“Não tenho ódio dos americanos, mas um temor de que o ICE fique à espreita do lado de fora (dos shows)”*, afirmou o artista na época.

Porém, no dia 28 de setembro, Bad Bunny foi anunciado como atração do show do intervalo do *Super Bowl 2026*, o maior evento de futebol americano do mundo, que também gera muita audiência graças ao seus enormes shows de intervalo, que incluem artistas de renome, como no último ano, onde o convidado foi Kendrick Lamar.

*“É por aqueles que vieram antes de mim e correram incontáveis jardas para que eu pudesse marcar um touchdown”* relatou o artista acerca da decisão. *“Isso é pelo meu povo, minha cultura e nossa história. Vá dizer à sua avó que faremos o show do intervalo do Super Bowl”* finalizou com a última frase sendo falada em espanhol.

Isso gerou uma enorme repercussão, principalmente entre figuras de poder do país e também na população conservadora, como o próprio ex-presidente Donald Trump, que chamou de “ridículo” convidar o artista e afirmou nunca ter ouvido falar dele.

Com o anúncio, o medo de Bad Bunny se concretizou. Corey Lewandowski, assessor do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, afirmou que o ICE estará presente na final do *Super Bowl* procurando imigrantes ilegais que forem assistir ao show, chamando a escolha do porto-riquenho de se apresentar no evento de “vergonhosa”.

Conservadores também se indignaram com a decisão, principalmente por se tratar de um artista que canta majoritariamente em espanhol se apresentar em um dos maiores eventos americanos do ano.

Bad Bunny, por sua vez, respondeu às críticas e à repercussão de seu anúncio durante o programa *Saturday Night Live**.*

*”Mais do que algo que eu conquistei sozinho, é uma vitória de todos. Ninguém poderá apagar nosso legado e nossa contribuição para este país”*, acrescentou Bunny em espanhol, voltando ao inglês em seguida, para concluir: *”Se você não entendeu o que eu acabei de dizer, tem quatro meses para aprender.”*

Em resposta à declaração, a deputada republicana Marjorie Taylor Greene classificou as apresentações do artista como “demoníacas e sexuais”. Ela também voltou a defender seu projeto de lei que propõe tornar o inglês o idioma oficial dos Estados Unidos, em reação à forte presença do espanhol e da herança latina nas músicas de Bad Bunny. Atualmente, além do inglês, o país reconhece oficialmente outras línguas, como o havaiano e idiomas indígenas.

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