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Reggaeton conquista palcos e streaming em escala global

Do underground de Porto Rico aos palcos globais, reggaeton consolida identidade latina, impulsiona a indústria musical e movimenta a economia cultural

Colagem, em fundo verde escuro, com o cantor Bad Bunny.
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  • O reggaeton nasceu em Porto Rico, na década de 1990, da mistura de hip‑hop com ritmos caribenhos, ganhando notoriedade na cena underground e com artistas como Daddy Yankee e DJ Playero.
  • A expressão ganhou força com a batida dembow, derivada do dancehall, gravada em mixtapes feitas em San Juan, e com a popularização de rimas em espanhol.
  • Nos anos dois mil, houve repressão às letras e à dança; bandas e produções passaram a lançar versões mais contidas, enquanto o álbum Barrio Fino, de Daddy Yankee, em 2004, alavancou o sucesso mundial com o hit Gasolina.
  • A partir de 2010, o reggaeton se consolidou internacionalmente, com artistas colombianos como J Balvin, Karol G e Maluma; Despacito, em 2017, impulsionou o gênero globalmente, principalmente com a versão em inglês de Justin Bieber.
  • No Brasil, o reggaeton ganhou espaço gradual com festas e artistas locais, mantendo vínculos com a cultura latina; Bad Bunny, recentemente, figura entre os grandes nomes e tem shows previstos no Brasil.

Porto Rico, território não incorporado dos EUA, viveu cinco séculos de colonização que moldaram seu cenário musical. O reggaeton nasceu na fusão do hip hop com ritmos caribenhos, ganhando força nos anos 1990 e conquistando o mundo ao longo das décadas. Bad Bunny é hoje a face mais conhecida do gênero.

O movimento surgiu entre artistas marginalizados nas ruas de San Juan e outras áreas periféricas. A cena Underground do início dos anos 1990 utilizava mixtapes gravadas em estúdios simples, com gravações feitas em tomadas únicas e pouca formalidade contratual.

Ao longo do tempo, o reggaeton se expandiu para além de Porto Rico, principalmente com a indústria de shows e a atuação de produtores-chave. O som ganhou simpatia de gravadoras americanas, que passaram a apostar no estilo cantado em espanhol e com forte presença rítmica.

Salada caribenha

Entre o final dos anos 1960 e os 2000, o reggaeton absorveu influências do dancehall jamaicano, do reggae em espanhol e do hip hop latino. Em Nova York, artistas latinos passaram a rimar em espanhol, ampliando o alcance do conceito do reggaeton.

A batida base, conhecida como dembow, tornou-se pilar do gênero após o sucesso de Shabba Ranks em Dem Bow. Versões descomplicadas da música ajudaram a popularizar o estilo em clubes e rádios na região.

Nomes como Daddy Yankee e Don Omar emergiram ao longo da década de 1990 e 2000, com oficinas de produção que moldaram o som. O termo reggaeton passou a significar uma mistura de reggae, rap e batidas dançantes, em meio a experimentações de produção.

Do confronto à explosão internacional

Durante o governo de Pedro Roselló, políticas de segurança e repressão moldaram o contexto da notícia musical. O reggaeton enfrentou críticas a partir de letras mais explícitas e da dança do perreo. A resposta incluiu versões mais moderadas para atender a rádios e varejo.

Nos anos 2000, festivais, audiências públicas e debates sobre o conteúdo das canções impulsionaram a discussão sobre a representação feminina nas letras. Artistas como Ivy Queen destacaram a necessidade de tratar com respeito o tema das mulheres na música.

O disco Barrio Fino, de Daddy Yankee, de 2004, marcou verdadeiro salto de importância. O single Gasolina tornou-se referência global, impulsionando collabs com grandes gravadoras e abrindo portas para artistas latinos no mainstream.

Expansão e Brasil

A tradição de pirataria digital pressionou as gravadoras a se adaptarem, enquanto o reggaeton se consolidava em Colômbia, com artistas como J Balvin e Maluma dando nova roupagem ao estilo. Em 2017, o megahit Despacito levou o reggaeton a plateias mundiais.

No Brasil, o reggaeton ganhou espaço a partir de 2006 com trabalhos locais e, mais fortemente, após Despacito. Festas e blocos latinos passaram a ser ferramentas centrais de difusão, conectando comunidades de imigrantes e fãs.

A artistas nacionais investem em fusões com estilos locais, ampliando o alcance do reggaeton. Pesquisadores ressaltam que o intercâmbio de referências favorece uma leitura regional da música latina, sem perder a essência pop internacional.

Bad Bunny simboliza essa trajetória ao vencer o Grammy Latino de Álbum do Ano e confirmar o peso do reggaeton no cenário global. O artista planeja shows de grande porte e turnês que fortalecem a presença do gênero no Brasil e no mundo.

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