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Quarta-feira: há otimismo sobre casas de shows independentes?

Apesar da recuperação de espaços ao vivo, a sustentabilidade segue frágil, com 6.000 empregos perdidos em 2025, principalmente entre 18 e 25 anos

Clwb Ifor Bach in Cardiff.
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  • O relatório anual da Music Venue Trust aponta melhora inicial na cena de música ao vivo no Reino Unido, com mais espaços abrindo ou reacendendo, mas masih várias dificuldades persistentes para as GMVs (grassroots music venues).
  • Em 2025, 30 espaços fecharam permanentemente e 48 paralisaram atividades, enquanto 69 novos ou reativados entraram na rede, reduzindo o ritmo de queda.
  • Ainda assim, a base financeira é frágil: mais da metade das GMVs não teve lucro em 2025, com margem média de apenas 2,5%. Muitas apresentações continuam operando com prejuízo, subsidiadas por venda de bar, comida e outras receitas.
  • O governo tem discurso mais positivo, com reconhecimento de que os espaços pequenos formam o pipeline de talentos e fomentam engajamento local, mas ainda faltam políticas eficazes para transformar esse reconhecimento em ações.
  • O relatório destaca também queda de quase 6 mil empregos em um ano (redução de 19%), principalmente entre jovens de 18 a 25 anos, impactando trabalhadores freelancers e futuros profissionais do setor.

O setor de música ao vivo no Reino Unido mostra sinais de recuperação, com plateias retornando e mais eventos sendo realizados. No entanto, o panorama permanece frágil diante de custos crescentes e o encolhimento de circuitos locais que afetam a formação de novos talentos.

A Music Venue Trust (MVT), instituição que atua pela proteção e melhoria de espaços de música de base, divulgou seu relatório anual. O fundador e CEO Mark Davyd comentou que os números sugerem uma recuperação, mas não indicam uma virada definitiva.

Entre os dados, 30 locais encerraram atividades permanentemente em 2025 e 48 deixaram de operar como venues de base, enquanto 69 espaços novos ou revitalizados entraram na rede, reduzindo o ritmo de queda.

Ainda assim, as margens de lucro permanecem estreitas: mais da metade dos espaços não teve lucro em 2025, com média de 2,5%. O modelo ainda depende frequentemente de receitas de bar e alimentação para sustentar as apresentações.

Davyd aponta que o tom da gestão pública tem se tornado mais favorável, com políticas que reconhecem o papel dos pequenos espaços na formação de artistas e no engajamento comunitário. Contudo, afirma que ainda não houve implementação de políticas eficazes.

Um ponto crítico é o sistema de imposto sobre negócios. Segundo Davyd, a classificação inadequada de casas de show como entidades puramente comerciais prejudica a viabilidade a longo prazo, convivendo com mudanças ainda não implementadas na revisão de taxas.

O relatório destaca ainda a perda de quase 6 mil empregos no setor em 2025, após a queda no limiar de contribuição previdenciária. Davyd descreve o impacto como uma consequência não intencional de políticas que atingiram trabalhadores jovens e freelancers.

O mapa da circulação de shows revela uma redução de atividades em 175 cidades, diante de uma concentração maior em grandes centros. O resultado é um gargalo para artistas iniciantes e para audiências em áreas menos conectadas.

A MVT atua com medidas emergenciais, orientação e novos programas de turnê para mitigar a desconexão entre cidades. Em Margate, o espaço Where Else? atribui à entidade a ajuda necessária para enfrentar dificuldades com o aluguel.

Para Davyd, a melhoria depende de ações concretas e políticas estáveis. Ele lembra que a música em espaços menores representa não apenas a pipeline de talentos, mas também a integração das comunidades locais. A expectativa é de avanços em 2026.

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