- Dry Cleaning adiantou que a estreia de uma turnê norte-americana em janeiro de 2026 não ocorreria devido a atrasos de vistos nos EUA e aos altos custos, adiando a maior parte das datas para o fim do ano.
- A banda explicou que despesas com voos, ônibus de turnê, hotéis e alimentação subiram, tornando a viagem financeiramente insegura mesmo com ingressos vendidos.
- A reportagem aponta que a inflação, o aperto de orçamento e a escassez de profissionais da indústria ampliam dificuldades para artistas em ascensão e bandas médias.
- Estratégias adotadas incluem turnês com cartazes de várias bandas, clubs menores e busca por novas fontes de renda, como merchandising exclusivo da turnê, apesar de margens apertadas e cortes de venues em vendas de bar e merch.
- O cenário evidencia um abismo crescente entre artistas de alto escalão e os demais, com alguns veteranos já cogitando abandonar a turnê nos EUA e bandas independentes enfrentando riscos financeiros para manter a presença ao vivo.
Dry Cleaning interrompeu parte da turnê norte-americana prevista para janeiro de 2026 devido a custos elevados e atraso na emissão de vistos dos EUA. A banda inglesa divulgou que adiaria a maior parte das datas para 2026, citando fatores econômicos hostis que afetam as turnês atualmente.
A banda vinha com o álbum Secret Love, previsto para 4AD, e planejava 21 shows na América do Norte. O grupo informou que as despesas com voos, ônibus, hotéis e alimentação subiram significativamente, além de taxas de visto e trâmites de expedição.
O gerente Tim Hampson relata preocupação com o fluxo de caixa, diante de variáveis que se acumularam. Florence Shaw, líder do Dry Cleaning, descreve o cenário como brutal, longe de apenas buscar lucro, mas manter a viabilidade da banda.
A realidade de touring hoje envolve uma divisão cada vez maior entre artistas de grandes formatos e o restante da cena. Vendas de ingressos em grandes festivais não compensam para todos, segundo agentes e produtores ouvidos pela reportagem.
Desafios logísticos também vão além do palco. A necessidade de equipes técnicas maiores eleva custos de iluminação, som e produção, pressionando margens mesmo para bandas em ascensão que sobem de espaços de 200 a 500 lugares.
Atrasos de visto e a complexidade de financiar turnês internacionais fazem com que artistas de fora pensem duas vezes antes de viajar aos EUA. Alguns optam por não tourar o país, diante da incerteza de aprovação e do alto investimento inicial.
Como alternativa, artistas exploram opções como bills com várias bandas ou shows em casas menores para reduzir despesas. Ainda assim, a venda de mercadorias continua a exigir participação de casas de show, gerando atritos sobre repasse de receitas.
Colleen Green, entre outros, tenta novas estratégias. Em tour pela América do Norte com Rozwell Kid, ela avaliou que quebrar até o equilíbrio financeiro no exterior é o objetivo principal, não apenas lucro imediato.
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