- Tia Ciata levou ao Rio de Janeiro o canto de trabalho e a oralidade do Recôncavo, contribuindo para a formação do samba moderno.
- O primeiro samba gravado, Pelo Telefone, nasceu nas rodas promovidas por Tia Ciata em sua casa no Rio de Janeiro.
- Tia Ciata, Hilária Batista de Almeida, nasceu em Santo Amaro da Purificação, Recôncavo Baiano, em 1854, e virou liderança da comunidade afro-brasileira na capital federal.
- Roberto Mendes, cantor, compositor e pesquisador de Santo Amaro, destaca a fusão entre batuques do Recôncavo, violas e a chula, gerando o canto violado que deu origem ao samba.
- No documentário O Samba Antes do Samba, de 2025, Mendes apresenta Graci Mary Moreira da Silva, bisneta de Tia Ciata, e reforça a ideia de que Tia Ciata trouxe ao país não apenas o samba, mas a liberdade.
O cantor e compositor Roberto Mendes afirma que Tia Ciata levou ao Rio de Janeiro não apenas o samba, mas a ideia de liberdade. O comentário integra a linha narrativa do documentário O Samba Antes do Samba, de 2025, no qual Mendes é protagonista.
Segundo Mendes, Tia Ciata, nascida Hilária Batista de Almeida em Santo Amaro da Purificação, Recôncavo Baiano, reuniu rodas de samba em sua casa no Rio. Em 1916, o samba gravado Pelo Telefone, referência histórica, nasceu de encontros promovidos por ela e acabou se consolidando no país.
A história contada por Mendes coloca a oralidade do canto de trabalho, praticada na Bahia sob o rótulo de chula, no centro da formação do samba. Ele destaca a fusão de batuques com violas como motor criativo que gerou o canto violado.
O elo entre Recôncavo e Rio
O pesquisador cita o encontro de dois séculos de tradição musical no Recôncavo, que, segundo ele, originou o samba antes mesmo de sua oficialização no Rio. Em entrevista à CartaCapital, Mendes reforça que Tia Ciata transmitiu ao país uma forma de expressão associada à fé e à liberdade.
A narrativa do documentário traz Graci Mary Moreira da Silva, bisneta de Tia Ciata, que vive no Rio, e apresenta a roda de samba chula ainda existente no município baiano. A obra reforça a participação feminina e negra na construção do gênero.
Roberto Mendes soma à carreira composições gravadas por nomes como Maria Bethânia, Gal Costa e Daniela Mercury. São 11 álbuns que ressaltam o samba de roda e a chula, com um novo disco em gestação e a participação dos filhos Leonardo Mendes e João Mendes.
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