- Charli XCX lança o álbum Wuthering Heights, feito para o filme de Emerald Fennell, marcando uma mudança em relação ao estilo de Brat.
- O álbum não é trilha sonora; é um trabalho completo que busca o clima dos pomares e doçuras sombrias das moors, em estilo moors-core.
- A obra traz referências ao cânone gótico, incluindo Brontë, Kate Bush e Nine Inch Nails, com uma abertura em que John Cale participa de uma leitura/poema na faixa “House”.
- A sonoridade mantém a presença de elementos de Eighties e de rock sombrio, criando uma atmosfera tensa e melancólica ao longo das músicas.
- As faixas de encerramento alternam tons mais suaves e perturbadores, com mensagens sobre esperança em meio à escuridão, destacando o equilíbrio entre peso e sensibilidade.
Charli XCX lança o álbum Wuthering Heights, uma parceria musical para o filme dirigido por Emerald Fennell. O projeto não funciona como trilha sonora, mas como um álbum completo que captura o clima sombrio e gélido das moors britânicas. A obra expõe uma faceta mais contida e atmosférica da artista, distanciando-se do dance-pop acelerado de Brat.
O conjunto apresenta uma sonoridade voltada ao moors-core, misturando influências de Gothic romance, Kate Bush e atmosfera dos anos 80. Charli busca transmitir a sensação de estar nos campos enregelados, com batidas contidas e melodias envolventes. A proposta é expressar a delicadeza e a dureza presentes no enredo de Wuthering Heights.
A faixa de abertura não é cantada pela própria Charli, mas por John Cale, ícone do goth dos anos 60 com a Velvet Underground. Em House, ele recita um poema lento sobre instrumentos que parecem ranger sob o piso de uma mansão vitoriana em decadência. A gravação reforça a tonalidade sombria do álbum.
Entre as faixas que seguem, aparecem momentos de lirismo eletrônico. My Reminder surge como uma lembrança doce e triste sobre relações familiares complexas, com sintetizadores que traçam uma linha suave de esperança. O tema dialoga com o relacionamento entre Heathcliff e Catherine, sem insinuar relações incestuosas.
O encerramento traz uma dualidade marcante. Funny Mouth apresenta corrosão sonora que contrasta com uma mensagem de perseverança: se existe luz, não a solte. A abordagem mantém Charli firme na leitura contemporânea do clássico, oferecendo uma leitura própria da obra literária sem soar como trilha convencional.
Em síntese, Wuthering Heights marca a produção mais tradicional da discografia recente de Charli XCX, ao mesmo tempo em que mantém sua identidade experimental. O álbum entrega canções bem costuradas que ampliam a paleta musical da artista, sem perder o espírito sombrio e romântico da história.
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