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Sociólogo defende continuidade da hegemonia de enredo afro em escolas de samba

Sociólogo defende continuidade de enredos afro nas escolas de samba, destacando reflexão sobre o Brasil, homenagens a personalidades e posicionamento crítico

Foto: Marcela Midian
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  • O sociólogo Tiaraju Pablo, da Unifesp, diz que os enredos das escolas de samba têm hegemonia de temas afros e causas populares e defende manter a origem e a essência das agremiações, apesar de críticas sobre repetição.
  • Sete das doze escolas do grupo especial do Rio de Janeiro fazem homenagens a personalidades, dentro ou fora do Carnaval.
  • Exemplos: Salgueiro enredo sobre Rosa Magalhães (falecida em 2024); Unidos da Tijuca, sobre a escritora Carolina Maria de Jesus; Imperatriz Leopoldinense e Mocidade de Padre Miguel, homenageando Ney Matogrosso e Rita Lee, respectivamente.
  • Acadêmicos de Niterói apresenta enredo sobre o presidente Lula, visto como síntese da história do Brasil nos séculos XX e XXI.
  • No Rio, Portela aborda afro-gaúcho com foco em um líder religioso, Custódio Joaquim de Almeida; em São Paulo, enredos de crítica social destacam Acadêmicos do Tatuapé e Gaviões da Fiel, além de homenagens a Sueli Carneiro e a Paulo César Pinheiro.

A hegemonia de enredos afro e de causas populares nas escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo ganha mais um espaço de debate. Sociológo Tiaraju Pablo, em entrevista à CartaCapital, analisa as escolhas temáticas dos desfiles e a relevância das homenagens a personalidades. O pesquisador destaca a persistência de temas que refletem raízes brasileiras, identidades e contradições sociais.

Ele aponta que as agremiações mantêm um viés que privilegia a origem e a essência do Carnaval, ao mesmo tempo em que enfrenta críticas de quem considera os enredos repetitivos ou excessivamente voltados a temas negros. O debate envolve críticas de esteta e de imprensa, segundo o pesquisador.

Pablo, coordenador do Centro de Estudos Periféricos da Unifesp, observa mudanças no recorte temático dos desfiles. Segundo ele, as escolas chegam a 2024 com uma forte presença de temas afro, mas também com foco em personalidades marcantes da cultura e da luta social. O efeito é ampliar o diálogo com o público.

Homenagens ganham espaço significativo

O pesquisador destaca que sete das 12 escolas do grupo especial do Rio de Janeiro trazem homenagens a personalidades, nacionais e internacionais. Entre os exemplos, Salgueiro presta tributo à carnavalesca Rosa Magalhães, falecida em 2024, e Unidos da Tijuca presta homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus.

Outra vertente é a valorização de figuras da música brasileira, com a Imperatriz Leopoldinense e a Mocidade de Padre Miguel destacando Ney Matogrosso e Rita Lee, respectivamente. Pablo reforça o caráter disruptivo dessas escolhas e a tentativa de ampliar o debate sobre representatividade.

Enredos que cruzam fronteiras

A Acadêmicos de Niterói, com enredo centrado no presidente Lula, é visto pelo sociólogo como sinal de posicionamento relevante. A história do líder sindical e político é apresentada como síntese de trajetórias brasileiras ao longo dos séculos XX e XXI.

Entre os temas afro no Rio, Portela apresenta uma abordagem sobre o afro-gaúcho, com foco em um líder religioso: o príncipe Custódio Joaquim de Almeida. O estudo aponta para a recuperação da africanidade gaúcha e o papel de Custódio nas religiosidades afro-brasileiras do estado.

Perspectivas em São Paulo

No cenário paulistano, a política se tornou tema recorrente nos desfiles do grupo especial, composto por 14 escolas. Destaque para a Acadêmicos do Tatuapé, com lutas sociais pela terra e homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, e para a Gaviões da Fiel, que aborda as nações indígenas e a defesa de seus territórios.

O sociólogo cita ainda a Mocidade Unida da Mooca, com enredo sobre Sueli Carneiro, filósofa e ativista negra, e a Estrela do Terceiro Milênio, com homenagem a Paulo César Pinheiro. A leitura é de que os desfiles passam a dialogar mais diretamente com temas de cidadania e direitos humanos.

O que se quer entender

Pablo enfatiza que a escolha de enredos é um movimento de construção coletiva, não único nem definitivo. A leitura sugere uma busca por representatividade, memória e resistência, sem abrir mão da celebridade e da diversão do Carnaval.

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