O brasileiro está duas vezes mais disposto a viajar mais de 500 quilômetros só para assistir a um show do que a população de outros países. O dado foi apresentado pela Live Nation, produtora americana de eventos, no relatório global Living for Live, que reúne informações sobre o mercado de música ao vivo no mundo. […]
O brasileiro está duas vezes mais disposto a viajar mais de 500 quilômetros só para assistir a um show do que a população de outros países. O dado foi apresentado pela Live Nation, produtora americana de eventos, no relatório global Living for Live, que reúne informações sobre o mercado de música ao vivo no mundo.
O Brasil aparece ao lado de Suécia e Irlanda nesse quesito. Em um recorte global, o número chama ainda mais atenção: foram mais de 40 bilhões de quilômetros percorridos só para ver shows, o equivalente a cerca de 83 mil viagens até a Lua.
Mas, no recorte nacional, fica a pergunta: por que o brasileiro viaja tanto só para ir a shows? A resposta não está nos shows de fora, e sim dentro do próprio país.
Qual cidade concentra os principais shows no Brasil?
Viajar para um lugar mais distante só para assistir a um show não é uma tendência apenas no Brasil, mas no mundo. O relatório aponta que 6 em cada 10 fãs fazem esse tipo de deslocamento todos os anos e que 70% vão além do trajeto: planejam uma viagem inteira em torno do evento.
No Brasil, porém, a questão vai além do aspecto cultural de viajar. Muitas vezes, é uma necessidade para quem quer ver de perto o artista de que gosta.
O motivo principal disso está na alta concentração de shows em um lugar específico do Brasil: São Paulo.
São Paulo é a principal capital de shows no Brasil e quase sempre aparece no roteiro de artistas em turnês mundiais.
Dá até para discutir a inclusão do Rio de Janeiro nesse eixo, mas a maior parte dos mega shows ainda se concentra em São Paulo. Quando entra na rota, o Rio costuma ser exceção ou até um “bônus” no meio de uma turnê mundial.
Os números deixam essa preferência pelo estado paulista ainda mais clara. O Allianz Parque, um dos principais palcos de shows do país, recebeu 121 apresentações entre 2023 e 2025, enquanto no Rio o estádio mais usado para esse tipo de evento é o Nilton Santos, o Engenhão, que no mesmo período somou ao menos 23 shows, pouco mais de um quinto do volume registrado no estádio paulista.
Vale ressaltar que o Engenhão não divulgou um balanço oficial de shows em 2024 e 2025.
O Rio, porém, se destaca em outros aspectos, como o festival Rock in Rio, realizado a cada dois anos, e o programa “Todo Mundo no Rio”, que leva artistas de grande porte ao público de graça.
Mesmo sem liderar em quantidade, a cidade ainda oferece uma experiência forte de shows e turismo, até porque o Rio de Janeiro é um dos principais cartões postais do Brasil para o mundo.
Por que os mega shows ficam em São Paulo?
A concentração em São Paulo e o afastamento de outros estados não é uma “birra” de artistas contra o resto do país, mas sim uma combinação de custo e segurança.
Em turnês mundiais, os artistas costumam marcar entre uma e três datas no Brasil, número que muitas vezes supera o de outros países da América Latina, onde o padrão é ter apenas um show.
Mesmo assim, a escassez de datas ajuda a explicar por que os shows quase sempre ficam concentrados em um único lugar, muitas vezes até no mesmo estádio. O custo de levar equipamentos e equipe para outras cidades seria muito maior do que manter toda a estrutura no mesmo local.
No aspecto financeiro, o custo de uma turnê também pesa nessa decisão. Cada cidade adicional eleva as despesas e aumenta o risco de o show não ter o retorno esperado.
Esses custos geralmente envolvem:
- transporte de equipamentos grandes
- equipe técnica estrangeira
- montagem de palco
- aluguel de arena ou estádio
- hospedagem de centenas de pessoas
Com esse conjunto de fatores, São Paulo vira a opção mais segura do ponto de vista financeiro para receber um show. A capital paulista é a maior cidade da América Latina e, por isso, já tem estrutura para atrair público de vários lugares e sustentar uma economia diversificada em torno desses eventos.
Por isso, o risco de um show “dar errado” em São Paulo é menor, não só pela estrutura e pelo mercado, mas principalmente porque a cidade está acostumada e é construída com esse tipo de deslocamento em mente.
Um dos fatores que evidencia isso está ligado não aos shows mas ao mundo corporativo. O coração financeiro do Brasil é São Paulo, com lugares como a Faria Lima e até mesmo a bolsa de valores brasileira localizada na capital. Por conta disso, é comum investidores virem de diversos lugares do Brasil e do mundo para a cidade, que tem estrutura para abrigá-los.
Virou comum pessoas de várias regiões do Brasil viajarem apenas para assistir a shows em São Paulo, principalmente quando se trata de artistas grandes ou que raramente passam pelo país, o que aumenta as chances de retorno financeiro ao ampliar a ocupação das apresentações.
Entre na conversa da comunidade