- 28ª edição do Sonora Brasil promoverá uma turnê nacional com artistas afro-indígenas em 15 estados, com shows inéditos, de junho a dezembro.
- O lançamento nacional da edição deste ano está previsto para junho, em Santarém, no Pará, com apresentações ao longo do ano até dezembro.
- Suraras do Tapajós, primeiro grupo de carimbó de mulheres indígenas do Brasil, integra a turnê, junto com Cabokaji e Nderé Oblé, que trazem referências indígenas, afro-brasileiras e elementos contemporâneos.
- O músico Gean Ramos Pankararu, de Pernambuco, destaca a música como portal de resistência e de construção de consciência indígena no contexto contemporâneo.
- Cada artista ou grupo fará entre trente e quarenta apresentações em diferentes regiões do país, mantendo foco na diversidade cultural e na relação entre tradição e novas linguagens.
O festival Sonora Brasil chega à sua 28ª edição promovendo uma turnê nacional com artistas e grupos da música afro-indígena. Serão shows inéditos em 15 estados, mantendo a tradição de mobilizar a cena cultural brasileira. A edição de 2024-2025 terá início em junho, em Santarém (PA), e segue até dezembro.
A iniciativa, realizada pelo Sesc, busca oferecer ao público uma imersão nas expressões musicais afro-indígenas como patrimônio vivo, em contínua reinvenção. A organização ressalta que as tradições atravessam gerações, resistem ao apagamento e dialogam com novas linguagens e tecnologias.
Ancestralidade
Gean Ramos Pankararu, músico indígena de Pernambuco, participa da turnê com uma estética que conecta ancestralidade indígena e negra. Para ele, o convite representa responsabilidade e a oportunidade de levar seu trabalho a territórios mais distantes, ampliando a compreensão sobre povos indígenas no contexto contemporâneo.
Gean começou a tocar ainda criança, no território Pankararu, no sertão de Pernambuco. Cresceu em meio à música, estudando violão mesmo durante períodos de trabalho no interior de São Paulo. Em 2008, retornou ao território para escrever a partir de sua vivência cultural.
Resistência
O artista mostra que a música tem função de resistência e de construção de consciência. Ele descreve a relação com a música como espiritual, conectada à terra e à natureza, com o objetivo de abrir espaço para as futuras gerações. A visão é de que a música indígena é parte fundamental da identidade brasileira.
Segundo Gean, o movimento de visibilização de artistas indígenas ganhou força nas décadas de 2000, quando emergiu a necessidade de consolidar nomes e trajetórias. Ele lembra que havia pouco mercado para esse tipo de expressão no início daquela década.
Sonora Brasil – 28 anos
O Sonora Brasil, um dos projetos mais antigos do Sesc, existe desde 1998 e dissemina a música e as manifestações culturais brasileiras. O objetivo é formar ouvintes e apresentar a diversidade cultural do país, levando cada artista a cerca de 30 a 40 apresentações ao longo do ano.
Entre as atrações está Suraras do Tapajós, o primeiro grupo de carimbó formado por mulheres indígenas do Brasil, de Pará. O repertório mistura autorias e releituras paraense, com temáticas de natureza, força feminina e ancestralidade.
Cabokaji, da Bahia, combina referências indígenas e afro-brasileiras com ritmos eletrônicos, apresentando uma performance que envolve música, corpo e elementos rituais. O show aborda territorialidade e reparação histórica, entre outras pautas.
Nderé Oblé reúne artistas do Rio Grande do Sul, do Distrito Federal e da Costa do Marfim, buscando pontes entre ancestralidade e futuro por meio de música, palavra e dança.
Segundo Leonardo Minervini, gerente de Cultura do Sesc, a ideia é manter a diversidade representada e sempre trazer novidades da cena musical brasileira para o projeto.
Edição 2024-2025
No biênio 2024-2025, o festival circulou com dez combinações de grupos e artistas, em shows inéditos que apresentaram a diversidade de estilos. O tema central foi Encontros, Tempos e Territórios, gerando uma série documental produzida pelo SescTV. Os episódios estão disponíveis no site do Sesc Digital.
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