- Em agosto de 2025, vazou uma conversa de prisão em que Young Thug afirmou ter gasto cinquenta mil dólares para boosting de streams do álbum DS4Ever, de Gunna, ajudando-o a estrear em primeiro lugar no Billboard 200 com mais de duzentos mil units na primeira semana.
- O jornal Billboard, com dados da Luminate, confirmou os números na época e não detectou atividade suspeita; representantes não comentaram o caso.
- Fraude em streams permanece comum na indústria, com fazendas de streaming, bots e até IA gerando milhões de streams falsos e bilhões em royalties desviados anualmente.
- Plataformas como Spotify, Apple Music e Pandora reforçam detecção, remoção de streams fraudulentos, penalidades e transparência, incluindo etiquetagem de conteúdo com IA em algumas parcerias.
- Ao longo de 2024 e 2025 houve ações legais e denúncias envolvendo Drake, UMG, TDE e outros, além de pedidos de maior proteção a artistas e ao ecossistema contra fraudes e manipulação de charts.
O debate sobre bots e fraudes em streams ganhou força em agosto de 2025, após uma gravação de um telefonema prisional divulgar que Young Thug afirmou ter gasto 50 mil dólares para turbinar as streams do álbum DS4Ever, de Gunna, lançado em janeiro de 2022. O disco estreou em primeiro lugar na Billboard 200, com mais de 150 mil unidades equivalentes vendidas na semana de abertura, superando Dawn FM, do Weeknd, em cerca de 2,3 mil.
Segundo a apuração da Billboard, DS4Ever contou com a participação de Drake em P Power e com preço promocional no iTunes, fatores citados como contribuidores para a façanha. A empresa de dados de streaming Luminate confirmou os números na época e não identificou atividade suspeita. Representantes de Young Thug e Gunna não comentaram; Luminate também não respondeu, enquanto a Billboard afirmou manter processo de monitoramento e verificação rigoroso com parceiros e contribuintes.
Fraude em streams é apontada como prática persistente no setor, frequentemente praticada por artistas ou seus gestores, envolvendo bots, fazendas de streaming e contas falsas que repetem faixas para elevar rankings. Especialistas destacam que a abertura de álbuns é alvo frequente de essas táticas para favorecer estreias no topo de charts.
Conteúdos automatizados podem vir de galpões com milhares de dispositivos ou de espaços de trabalho vazios, operando em loop para gerar milhões de streams fraudulentos. Existem empresas que oferecem pacotes de bots mediante assinatura, além de operações que utilizam IA para criar faixas falsas e volumes ainda maiores.
Estimativas indicam que streams fraudulentos chegam a bilhões de dólares em royalties desviados anualmente. A indústria tem reagido com ações de detecção e remoção de streams inflados, bem como penalidades aos envolvidos, com metas de proteger artistas e pagamentos justos. O Spotify, por exemplo, afirma investir em revisões automatizadas e manuais para eliminar streams manipulados.
Outras plataformas, como Apple Music e Pandora, também reforçam controles para reduzir manipulação, com monitoramento em tempo real e ferramentas de detecção baseadas em IA. Dispositivos de fiscalização e parcerias com distribuidores ajudam a manter integridade de dados de charts, embora não haja consenso sobre impactos exatos no bolo de pagamentos.
A discussão envolve ainda grandes artistas e equipes, bem como artistas independentes, que podem sofrer desproporcionalmente com abusos. Em 2024, mais de 200 artistas teriam assinado carta pública contra IA e direitos dos criadores, ressaltando prejuízos à remuneração e ao ecossistema musical.
Em resposta, empresas de streaming têm ampliado a transparência, com planos de incorporar IA aos metadados de créditos quando utilizada na produção de faixas. A Apple Music já sinalizou exigência de etiquetas de transparência para conteúdos com IA, enquanto Deezer também adotou ferramentas de detecção de IA para melhor representatividade de artistas e clareza aos usuários.
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