- Ebony lança KM2 (De Luxo), com sete novas faixas, revisitando sua trajetória e mostrando evolução desde o primeiro disco.
- A decisão de usar o termo em português foi estratégica e afetiva, buscando conexão com o público que a entende.
- O álbum resgata a voz de Sojourner Truth, com o discurso de 1851 “E eu não sou uma mulher?”, enfatizando a relevância histórica.
- A artista fala sobre a dualidade de ser nerd e cria, destacando que consegue dialogar com diferentes públicos sem perder a identidade.
- Em fevereiro, Ebony esteve no Palácio do Planalto para assinar o Pacto Nacional contra o Feminicídio; o projeto finaliza com a faixa “Chefe”, em tom de vitória e autonomia.
A rapper Ebony, aos 25 anos, apresenta KM2 (De Luxo), revisitando sua trajetória e destacando a importância de resgatar vozes históricas. A artista da Baixada Fluminense lança o projeto enquanto reflete sobre o caminho na cena musical brasileira.
A escolha de usar De Luxo em português teve significado afetivo: a ideia dialoga com as gerações dos seus pais e facilita a conexão com o público. A ideia é ampliar a compreensão sobre o que significa uma releitura de luxo.
O novo projeto traz sete faixas, entre canções e poemas, e marca uma Ebony mais autocrítica e menos ligada ao ego masculino dominante no rap. A linguagem busca afirmar potência sem excluir outras perspectivas.
Resgate histórico
Sojourner Truth, abolicionista negra de 1851, é tema de um trecho do álbum. Ebony questiona por que a pergunta histórica sobre inclusão permanece relevante em 2026, destacando a necessidade de memória e aprendizado público.
Ela ressalta que fãs jovens muitas vezes desconhecem a figura histórica, vendo nisso uma vitória coletiva. O objetivo é ampliar o alcance de conteúdos que fomentem a educação cívica e cultural entre diferentes gerações.
Dualidade criativa
A artista encara a convivência entre o rótulo de nerd e a imagem de cria. Ebony afirma que é possível manter referências e autenticidade sem perder a fluidez em inglês ou particularidades da vivência periférica.
A rapper também comenta o apreço pela eloquência: atuar com linguagem clara é parte do trabalho pela qualificação da cultura negra na música. A ideia é ampliar espaço para quem é pioneiro, sem repetir estereótipos.
Do Palácio ao ativismo
Em fevereiro, Ebony representou a juventude periférica ao assinar o Pacto Nacional contra o Feminicídio no Palácio do Planalto. Ela cobra responsabilização de colegas de cena e alerta para o peso de narrativas masculinas na cultura.
A artista defende que o rap feminino pode trazer cobrança e proteção de direitos, sem deixar de dialogar com públicos variados. O foco é ampliar a participação de mulheres negras na cena.
Encerramento com autonomia
Diferente da versão original, o De Luxo encerra com a faixa Chefe, sinalizando uma virada para a autonomia. A narrativa sugere que a história é escrita pela própria vida, não apenas pela dor.
Ebony afirma que a obra busca transmitir otimismo prático, com momentos de tristeza, mas também de conquista. A mensagem é de continuidade, aprendizado e empoderamento.
Entre na conversa da comunidade