A edição deste ano do maior festival de tendências e capital cultural do mundo, o Coachella, que começa na sexta-feira (10) e vai até dia 19, marcará a estreia da primeira baterista brasileira nos palcos do deserto da Califórnia: Nicolly Demeneghe. Nico empunhará as baquetas nos shows de Luísa Sonza nos dois sábados (11 e […]
A edição deste ano do maior festival de tendências e capital cultural do mundo, o Coachella, que começa na sexta-feira (10) e vai até dia 19, marcará a estreia da primeira baterista brasileira nos palcos do deserto da Califórnia: Nicolly Demeneghe. Nico empunhará as baquetas nos shows de Luísa Sonza nos dois sábados (11 e 18).
“É quase inacreditável! Eu estou sem palavras ainda! É a primeira vez que vou mostrar meu trabalho fora do Brasil e já começar com o Coachella é surreal. E é uma honra poder ser a primeira baterista brasileira a subir nesses palcos. O Brasil tem muitas mulheres musicistas incríveis, um bom exemplo é esse timaço com quem estou tocando”, diz a gaúcha, que é integrante fixa da banda de Pitty, também como a primeira mulher a ocupar o posto.
A trajetória de Nico até o deserto de Indio é pavimentada por precisão técnica e uma pegada que transita entre o peso do rock e o groove do pop. Natural do Rio Grande do Sul, ela ganhou visibilidade ao assumir o posto na banda de Pitty, substituindo nomes históricos e provando que o instrumento, antes dominado por homens, ganha novas narrativas sob seu comando. Sua convocação para o time de Luísa Sonza não é apenas um reforço técnico, mas o símbolo de uma cena de instrumentistas mulheres que agora exporta talentos para as maiores vitrines globais.
Para a música brasileira, o festival serviu como um termômetro de exportação: começou com nomes cultuados e evoluiu para o domínio do pop e do funk global.
Luísa Sonza foi confirmada no line-up do Coachella 2026, apresentando-se nas mesmas datas de Justin Bieber. A cantora brasileira estreará o repertório do novo projeto, “Brutal Paraíso”, prometendo um show focado no pop brasileiro. O festival ocorre nos dias 10 a 12 e 17 a 19 de abrilSonza é uma das representantes brasileiras no festival, ao lado do DJ Mochakk, em um show que faz parte da internacionalização de sua carreira e nova era nos Estados Unidos. A presença da artista foi anunciada em setembro de 2025, destacando seu posicionamento no line-up ao lado de nomes como Sabrina Carpenter e Karol G.
O Brasil na Califórnia
O Coachella Valley Music and Arts Festival nasceu em 1999, em outubro, logo após o desastroso Woodstock ’97, com a proposta de oferecer curadoria alta e clima pacífico. Os primeiros a liderar foram Beck, Tool e Rage Against the Machine. Após um hiato financeiro em 2000 e a pausa forçada pela pandemia (2020-2021), o festival celebrou suas Bodas de Prata em 2025.
Até a edição de 2024, aproximadamente 23 artistas ou bandas brasileiras já haviam passado pelos palcos do evento. Essa “invasão” verde e amarela divide-se em três eras distintas:
A Era dos Pioneiros: O foco era o Brasil respeitado pela crítica ou pelas pistas. Seu Jorge abriu o caminho em 2002 com o sucesso de Cidade de Deus. Seguiram-se DJ Marky (2004) e o fenômeno indie CSS (Cansei de Ser Sexy), que ocupou o deserto em 2007, 2008 e 2009.
Consolidação Indie e MPB: O festival passou a acolher a sofisticação de Bebel Gilberto e Céu (2010), o techno de Gui Boratto (2011) e o rap de Emicida (2013). O rock psicodélico do Boogarins (2018) mostrou que o interior do Brasil também dialogava com a estética californiana.
A Era das Superestrelas: Recentemente, os números do streaming ditaram o ritmo. Pabllo Vittar fez história em 2022 como a primeira Drag Queen com show próprio. Anitta levou o cenário de favela e Snoop Dogg para o palco em 2022, enquanto Ludmilla, em 2024, foi a primeira mulher negra latina com show solo no palco principal.
Agora, em 2026, a presença de Luísa Sonza e a estreia histórica de Nico na bateria reforçam que o Brasil não apenas participa do festival, mas ajuda a construir o ritmo do que o mundo ouve no deserto.
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