- O brega funk amadurece, cruza estilos e amplia presença nacional e internacional, incluindo festas na Argentina.
- O hit “Jetski”, de Pedro Sampaio com Melody e Meno K, exemplifica a incorporação de batidas do gênero em grandes lançamentos, com milhões de visualizações.
- nomes como Anderson Neiff, Gordinho Bolado e Rayssa Dias lideram a nova fase, mesclando brega funk, trap e referências locais, como o manguebeat.
- a produção atual valoriza baixo peso com “chicote” sonoro e menos uso de vocais de outros estados, em razão de questões legais de direitos de samples.
- a cena pernambucana ganha espaço nacional, com artistas locais explorando fichas de autenticidade, bailes da paz e colaborações que conectam o Recife a o Brasil e além.
O brega funk vive uma nova fase de amadurecimento, cruzando estilos e ganhando espaço tanto no Brasil quanto no exterior. O ritmo, que ficou conhecido na virada da década, hoje se apresenta como um fenômeno amplo, trabalhando com novas gerações e já marcado por festivais, shows e paradas de sucesso no verão.
A cena pernambucana, antes vista como um primo distante do eixo Sudeste, passa por transformações. O ritmo cadenciado, com timbres que simulam ruídos de lata e protagonismo compartilhado com MCs de diferentes estados, começa a ganhar projeção nacional e internacional, incluindo apresentações fora do Brasil.
Novo momento e alcance internacional
A cantora Rayssa Dias aponta para uma virada que consolida o brega funk em todo o país e no exterior. Um dos seus exemplos é o hit Jetski, de Pedro Sampaio, com participação de Melody e Meno K, que acumula mais de 100 milhões de visualizações no YouTube e milhões de plays no streaming.
Entre nomes da nova geração, Anderson Neiff figura como referência de popularidade, com faixas que mesclam referências locais de Pernambuco e sons do brega funk. Entre os marcos, a produção inclui clipes com símbolos regionais e referências ao manguebeat, conectando o ritmo a identidades locais.
Produção e dinâmica da cena local
O produtor e DJ Gordinho Bolado ressalta a importância do baixo marcante e do elemento de chicote na cadência das faixas atuais. Segundo ele, a economia de produção busca clareza sonora para não ofuscar vocais e evita uso de acapellas de artistas de outros estados para prevenir disputas por direitos autorais.
A dança e o processo criativo também expandem o alcance. O Passinho do Jamal ganhou notoriedade nas redes e em estádios, influenciando novas coreografias dentro do cenário local, com repercussão entre fãs e produtores.
Conexões locais e nacionais
Artistas pernambucanos passam a alinhar rap e brega funk, aumentando a presença de produções locais no cenário nacional. Relikia, com o disco Maioridade, transita entre os estilos ao lado de Brenu e Ruan Bryant, fortalecendo a ponte entre o hip-hop e o ritmo regional.
O movimento envolve coletivos e videoclipes que valorizam a memória das bailes da paz do Recife, como é o caso do projeto Dono da Área, produzido pela Videoculto. A cena tem buscado consolidar uma identidade própria dentro do panorama brasileiro.
Contexto político e institucional
A expansão do brega funk também chega ao debate público local, com propostas legislativas que tratam de uso de recursos públicos para apresentações do gênero. A discussão envolve a gestão cultural do Recife e a percepção sobre o papel da música popular na cidade.
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