- Linett Kamala reinventou o maypole ao combinar iluminação LED, caixas de som e batidas de dancehall com a tradicional dança em um maypole, criando o Basstone Maypole.
- A ideia nasceu ao ver, na Jamaica, crianças dançando o maypole e perceber que a tradição poderia ganhar uma versão própria e contemporânea.
- O Basstone Maypole foi apresentado pela primeira vez em fevereiro, no festival Light Up Kilburn, e ganhou adesão de crianças, pais e jovens na comunidade de Kilburn.
- Em inglês, o maypole é uma herança colonial que Kamala revisita para promover uma visão de identidade mais ampla, conectando cultura britânica e jamaicana por meio da música.
- Kamala planeja levar o Basstone Maypole a festivais neste ano, e está em cartaz a exposição Dancehall Riddim Queens, em Londres, com trabalhos de arquivo.
In London, uma sessão de dança começa perto de uma mesa de pingue-pongue e uma esteira, onde um maypole vibrante domina o espaço com fitas coloridas. O som é de dancehall, elevado ao volume máximo, em vez das músicas folclóricas inglesas tradicionais.
A responsável é Linett Kamala, artista britânica de ascendência jamaicana e educadora, conhecida por marcar presença no Notting Hill Carnival desde os 15 anos. Hoje ela apresenta o Basstone Maypole, um maypole futurista que mescla som de sistema de som com tecnologia de iluminação.
Kamala descobriu o maypole ainda na juventude, em registros de escolas britânicas, mas viu o símbolo sofrer deslocamentos culturais. Em 2020, enquanto ministrava oficinas na Jamaica, deparou-se com crianças locais que ainda dançavam ao redor do maypole, conectando passado e território.
De volta a Kilburn, a artista comprou um maypole antigo e começou a realizar oficinas comunitárias. O projeto Basstone Maypole substitui as fitas por cordões de LED programados, tem a coroação com alto-falantes de escola e uma base de bass bin, criando uma experiência de som e luz única.
A estreia ocorreu em fevereiro no festival Light Up Kilburn, atraindo crianças, pais e idosos. O espaço ganhou vida com sons de pássaros e batidas profundas, gerando uma sensação de surrealidade para os presentes. A resposta foi muito positiva entre a comunidade.
Entre os participantes estão moradores de Canary Wharf que retornaram à prática depois de um dia de trabalho. Um participante comentou que a fusão entre maypole e som de club é uma realização de sonho. Outra pessoa destacou a novidade por aproximar a tradição de ambientes urbanos.
Beverley Bogle, bailarina de quadrille jamaicana que vive no Reino Unido desde os anos 60, também participou. Ela lembra que a dança foi apropriada de forma criativa pelas comunidades negras, mantendo a memória de resistência e autonomia cultural.
Kamala vê o Basstone Maypole como parte de uma nova versão da herança inglesa, uma forma de tornar tradições visíveis e contemporâneas. Ela afirma que a missão envolve ampliar a compreensão sobre cultura britânica, jamaicana e suas interações.
O Basstone Maypole deverá marcar presença em festivais e eventos ao longo do ano, com datas a serem anunciadas. Paralelamente, Kamala prossegue com a exposição Dancehall Riddim Queens, em Londres, entre 29 de abril e 31 de julho.
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