- O percussionista Paulo Santos, remanescente do Uakti, lançou o álbum duplo ÁraTekoha.
- O título reúne os conceitos de tempo (Ára) e lugar/forma de viver (Tekoha), conforme as notas de release, destacando a reflexão sobre ser e tempo.
- A sonoridade privilegia o mundo natural, mas não se limita a sons da natureza; as faixas conduzem o ouvinte a experiências entre selva, presente e memória.
- Faixas como Sementes intergalácticas e Ar Ára exploram imaginação e sensações, enquanto Ovo desenvolve harmoniações cada vez mais rendilhadas.
- A obra propõe uma relação de reconhecimento e descoberta entre autor e ouvinte, gerando atenção aguda e uma experiência quase de alteração de consciência.
Fernando Viotti comenta o novo álbum de Paulo Santos, integrante do Uakti, que chega aos ouvidos como continuação da trajetória do percussionista de mais de cinco décadas. O trabalho, intitulado ÁraTekoha, expõe uma linguagem que não se alia ao passado, mesmo após o dissolvimento do grupo.
ÁraTekoha é um projeto sonoro duplo em que a ideia central é libertar o ouvinte da repetição e abrir espaço para fantasias e invenções sonoras. O título explica a proposta: Ára significa tempo ou época, e Tekoha o lugar onde se vive o teko, o modo de ser, conectando tempo, lugar e modo de existência.
A sonoridade natural aparece já na primeira audição, sem reduzir-se a uma simples coletânea de sons da natureza. Faixas como Sementes intergalácticas e Ar Ára convidam o ouvinte a transitar entre a selva e a cidade, criando uma experiência de presente aguda e imersiva.
Em Ovo, a linha melódica germina harmonia cada vez mais elaborada, induzindo a percepção de um outro ser, atento a sensações antes latentes. A obra funciona como peça de teatro experimental, com deslocamentos entre memória, ambiente e narrativa, lembrando thrillers da década de 1970.
Paulo Santos, reconhecido pela forma lúdica de abordar a música, entrelaça o som informativo e o redundante para promover invenção sonora. Ao mesclar referências, ele propõe uma ponte entre reconhecimento e descoberta, convidando o ouvinte a percorrer caminhos indeterminados.
A crítica ressalta que a experiência sonora transforma a atenção do ouvinte, aproximando-o de mundos internos e de realidades externas ao mesmo tempo. ÁraTekoha é apresentada como trilha sonora para o existir, no presente, segundo a leitura de Viotti.
Entre na conversa da comunidade