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Isaiah Rashad quebra estereótipos e se mantém honesto em It’s Been Awful

Álbum It's Been Awful expõe vulnerabilidade de Isaiah Rashad ao tratar sexualidade, traumas familiares e a pressão de estereótipos no rap sulista

Foto: Jason Armond / Los Angeles Times via Getty Images / Rolling Stone Brasil
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  • Isaiah Rashad lança o terceiro álbum, It’s Been Awful, com a faixa central Act Normal, que aborda o videoclipe de 2022 em que ele aparece beijando homens e revela uma infância cercada de segredos, além de declarar-se sexualmente fluido em entrevista a Joe Budden.
  • O disco tem 16 faixas e duração de 54 minutos, com o dueto Boy in Red com SZA; as sonoridades remetem ao sul dos anos noventa, em clima de riffs de teclado e batidas suaves, criadas por produtores como Julian Sintonia, Hollywood Cole e Mario Luciano.
  • Temas recorrentes incluem sexualidade, abuso de substâncias, memórias familiares dolorosas e a relação com a fama; ele faz referências a Outkast e Idlewild, além de citar influências de Rapsody e Tyler, the Creator.
  • Rashad, antes visto como sombra de Kendrick Lamar na Top Dawg Entertainment, teve destaque em shows como o Coachella em 2022, mas não alcançou grande estardalhaço no mainstream.
  • O álbum fecha com 719 Freestyle, mantendo o tom de honestidade sobre problemas pessoais, incluindo solidão, dependência e a luta para entender a própria identidade.

Isaiah Rashad lança o terceiro álbum, It’s Been Awful, apresentando um retrato cru de sua vida pessoal e artística. O trabalho mergulha em memórias familiares, dúvidas sobre sexualidade e a pressão de ser figura de destaque no rap do sul dos EUA.

O disco, com 16 faixas e 54 minutos, coloca em evidência o single Act Normal, que aborda um episódio viral de 2022 envolvendo Rashad e a divulgação de imagens envolvendo sua orientação sexual. O artista, criado em Chattanooga, Tennessee, reflete sobre uma casa marcada por segredos familiares.

Em meio a esse eixo, o álbum dialoga com referências do sul dos anos 1990, buscando um clima de blues urbano. Batidas densas e melodias filtradas sustentam a narrativa, traçada com colaborações de produtores e backing vocals que reforçam o efeito ecoante das faixas.

A produção é assinada por nomes como Julian Sintonia, Hollywood Cole e Mario Luciano, que ajudam a costurar o som characteristicamente pastoso do álbum. A sonoridade remete a obras de Outkast e a tradição do Dirty South, com toques de modernidade no andamento das faixas.

Rashad dialoga com temas de dependência, sobriedade e a relação com a família, sem oferecer soluções fáceis. Em várias faixas ele revisita episódios de uso de substâncias, a distância dos filhos e o peso de expectativas sobre a carreira musical. O resultado é uma obra de autoconhecimento não trivial.

Em termos de linguagem musical, o álbum alterna momentos de introspecção com explosões de energia, encerrando com faixas que apostam em uma entrega mais crua e direta. A arrebatadora contagem final reforça a tensão entre vulnerabilidade e resistência.

It’s Been Awful se apresenta como uma continuação da trajetória de Rashad, ainda que com menos visibilidade no mainstream. O projeto marca uma fase em que o rapper sulista busca ampliar a compreensão da sua arte, longe de rótulos e estereótipos que ainda cercam o gênero.

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