- Nascido em 12 de maio de 1913, no Rio de Janeiro, José Bispo Clementino dos Santos, o Jamelão, tornou-se símbolo da Mangueira e do Carnaval carioca.
- Iniciou na Mangueira como tamborim e, nos desfiles, assumiu o posto de intérprete oficial por mais de meio século, até 2006.
- Ficou conhecido por interpretar sambas-enredo com timbre grave e intenso, impulsionando a importância do cantor de samba-enredo na avenida, e teve atuação destacada fora da escola.
- Gravou dezenas de discos e ficou conhecido por interpretar Lupicínio Rodrigues, sendo considerado o principal intérprete de suas composições no samba-canção.
- Teve reconhecimento com prêmios como o Estandarte de Ouro, foi eleito Intérprete do Século do Carnaval do Rio em 1999 e recebeu a Ordem do Mérito Cultural em 2001; sofreu AVC em 2006, deixou os desfiles em 2007 e faleceu em 14 de junho de 2008, aos 95 anos.
Jamelão, conhecido como a voz histórica da Mangueira, nasceu em 12 de maio de 1913, no Rio de Janeiro. Filho de uma família humilde, cresceu em São Cristóvão e enfrentou dificuldades financeiras desde cedo. Começou trabalhando como engraxate e vendedor de jornais para ajudar em casa, antes de se aproximar do samba.
Sua entrada no mundo do samba aconteceu pela Mangueira, após ser levado ao clube pelo sambista Gradim. Inicialmente integrou a bateria, tocando tamborim, mas logo ganhou espaço como cantor. O apelido Jamelão nasceu nas gafieiras, em referência ao fruto homônimo, e ganhou o complemento Gogó de Ouro pela força de sua voz.
Nos anos 1930 e 1940, consolidou-se como crooner em gafieiras do Rio. O momento que impulsionou a carreira ocorreu em 1945, ao participar de um programa de calouros apresentado por Ary Barroso, ao interpretar Ai, que Saudades da Amélia. Esse desempenho abriu portas em boates, rádios e gravadoras.
A década de 1950 marcou o divisor de águas: tornou-se o intérprete oficial da Mangueira, levando a escola aos desfiles da Marquês de Sapucaí. Perdurou nesse papel por mais de cinco décadas, até 2006, moldando o papel do cantor de samba-enredo na avenida.
Jamelão cultivou uma relação de profundo orgulho com sua função, correndo o risco de ser visto apenas como puxador. Em sua visão, era um intérprete de samba-enredo, não apenas um puxador de carro. Sua personalidade forte e humor ácido tornaram-no figura folclórica do samba carioca, sempre respeitado no meio musical.
Ao longo da carreira, participou de sambas-enredo marcantes da Mangueira, contribuindo para a evolução do Carnaval moderno. Entre os destaques estão Caymmi Mostra ao Mundo o Que a Bahia e a Mangueira Têm (1986) e Cem Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão (1988), cantados com intensidade na avenida.
Fora da Mangueira, Jamelão gravou dezenas de discos e destacou-se como intérprete da obra de Lupicínio Rodrigues, maestro do samba-canção. Canções como Vingança, Esses Moços e Cadeira Vazia ganharam novas leituras emocionais em sua voz, consolidando-o como referência da música brasileira.
Ao longo dos anos, o artista recebeu diversos reconhecimentos. Entre eles, o Estandarte de Ouro de melhor intérprete do Carnaval carioca e, em 1999, o título de Intérprete do Século do Carnaval do Rio de Janeiro. Em 2001, foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural.
A saúde deteriorou-se nos últimos anos. Em 2006, sofreu um acidente vascular cerebral que o afastou dos desfiles. O Carnaval de 2007 ocorreu sem a sua participação na Mangueira. Em 14 de junho de 2008, Jamelão faleceu, aos 95 anos, no Rio de Janeiro, vítima de falência múltipla dos órgãos.
O corpo foi velado na quadra da Mangueira, marcando o fechamento de uma era. A importância de Jamelão para o samba e para o Carnaval permanece como referência histórica para gerações de artistas e fãs.
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