- Pierre Aderne apresenta o álbum Povo Brasileiro, do coletivo Rua das Pretas, com participação de músicos do Brasil, Portugal e Cabo Verde, gravado na Casa Darcy Ribeiro, em Maricá (Rio de Janeiro).
- O disco foi lançado em Paris, no espaço L’Ermitage, e chega ao Brasil para apresentação no Festival Remexe Rio, no dia 24 de maio.
- O trabalho busca um encontro orgânico entre samba, fado, morna e referências como capoeira e ijexás, sem forçar uma “fusão” pré-definida.
- A gravação teve envolvimento de arranjos de Kiko Horta e conta com vozes femininas como Zulu (Cabo Verde), Ana Margarida Prado (Portugal) e Letícia Malvares (Brasil).
- Também ganhou versão audiovisual: um curta dirigido por Aderne, com roteiro de Jorge Araújo, que acompanha o processo de criação entre Rio de Janeiro e Lisboa.
Pierre Aderne apresenta o álbum Povo Brasileiro, criado com o coletivo Rua das Pretas, que atravessa França, Brasil e Portugal. Gravado na Casa Darcy Ribeiro, em Maricá (RJ), o disco chega ao Brasil após lançamento em Paris, no L’Ermitage, e apresentação no Festival Remex Rio, em 24 de maio.
O projeto nasce da convivência entre músicos de Brasil, Portugal e Cabo Verde. Aderne descreve a produção como resultado de encontros naturais, sem forçar fusões. O grupo busca um espaço de diálogo entre samba, fado, morna e referências à capoeira, ijexá e afoxé.
A Rua das Pretas se formou há cerca de 15 anos, em Lisboa, a partir de saraus que reuniam artistas de diversas trajetórias. O conjunto preserva a ideia de convivência entre histórias, mais do que a organização em categorias formais.
O chão simbólico de Darcy Ribeiro
A gravação em Maricá aproxima o projeto de Darcy Ribeiro, com a gravação ocorrendo dentro da casa projetada por Oscar Niemeyer. O músico aponta o encontro como quase espiritual, conectando o álbum a um referencial do livro O Povo Brasileiro.
Arranjos incluem Kiko Horta, dos Cordão do Boitatá, compondo o que Aderne chama de uma “orquestra humana” de morro, cidade e África. A ideia é criar uma trilha sonora que una três continentes, sem pretensão de hierarquia musical.
Vozes femininas e travessias Atlânticas
Entre as intérpretes destacam-se Zulu, de Cabo Verde, Ana Margarida Prado, de Portugal, e Letícia Malvares, do Brasil. Aderne ressalta o impacto daquele espaço histórico para as artistas africanas e portuguesas, enfatizando símbolos de memória e deslocamento.
Nilson Dourado, parceiro da Rua das Pretas, completa o grupo com sua multiformidade musical. O conjunto procura ampliar o alcance emocional do álbum por meio dessas vozes femininas, conectando tempos distintos.
O filme como extensão do disco
Povo Brasileiro – Rua das Pretas inclui um curta‑metragem dirigido por Aderne, com roteiro de Jorge Araújo. O projeto nasceu como registro do processo criativo e ganhou a dimensão de narrativa audiovisual durante as filmagens em Maricá.
O diretor- músico descreve o filme como figurino do disco, articulando imagens, memórias e deslocamentos. A obra visa explorar um patrimônio comum, em vez de enfatizar diferenças nacionais.
Aderne defende que a música de língua portuguesa se fortalece por encontros entre povos. O álbum não busca respostas definitivas sobre origem, mas celebra trajetórias compartilhadas e a ideia de que muitos chegam ao mesmo ponto por caminhos diferentes.
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