- No São Paulo Innovation Week, Zélia Duncan e Seu Jorge discutem a criação artística em meio à velocidade da tecnologia e à IA, defendendo a imperfeição humana.
- Zélia afirma que quer a humanidade radical e questiona a relação da arte com a rapidez das redes sociais e da distribuição digital.
- Seu Jorge privilegia o tempo de escuta e obras que exigem atenção, destacando os álbuns Agudo Grave e Other Side, lançados em breve.
- Os artistas veem lançar álbuns completos, em vez de singles para alimentar algoritmos, como ato político e valorização do tempo de música real.
- O encontro encerrou com apresentação de Seu Jorge, destacando a relação entre canto, arte e resistência no ambiente digital.
O São Paulo Innovation Week recebeu a apresentação de Zélia Duncan e Seu Jorge no painel A Arte do Imprevisível, com foco na relação entre criação artística e inteligência artificial. Os artistas discutiram como a arte pode resistir à velocidade impessoal da tecnologia, defendendo a humanidade, a imperfeição e o imprevisível como motores criativos.
Zélia afirmou que busca a humanidade radical na arte, sem antagonizar a tecnologia, e ressaltou a importância de uma produção que valorize a experiência humana. Seu Jorge chegou ao palco sambando, recebendo aplausos, e participou da conversa mediada por Roberta Martinelli.
A dupla revelou projetos que chegam ao público em breve: Agudo Grave, de Zélia, com lançamento marcado para 14 de junho, e Other Side, do Seu Jorge. O debate explorou como o consumo veloz de conteúdo afeta a percepção de lançamentos artísticos.
Segundo os artistas, a internet cria a sensação de atualização contínua, mas questiona-se o alcance real e a profundidade da experiência. Zélia criticou a ausência de álbum físico como sintoma de uma ilusão de alcance promovida pelas redes sociais.
Roberta Martinelli destacou que Other Side e Agudo Grave foram pensados para uma escuta atenta, que privilegia silêncio, presença e concentração, destoando do scroll infinito. Em conjunto, as obras aparecem como exemplos de resistência à lógica de consumo rápido.
Para os músicos, lançar um álbum completo em vez de singles é também um ato político, preservando o que chamam de tempo de musical real. Acreditam que a IA pode ser uma ferramenta de questionamento sobre autenticidade e manipulação digital.
Eles defenderam que o sentimento, a imperfeição e o imprevisível são atributos centrais da arte humana. Zélia afirmou que a arte é um espaço onde os artistas se veem como o impossível, mantendo a busca constante.
Mudança de tema
A conversa também abordou o desafio de manter uma trajetória artística contínua diante de expectativas. Zélia mencionou o temor de perder conquistas anteriores, enquanto Seu Jorge explicou que a cada projeto busca um Jorge ainda não conhecido.
O encontro terminou com apresentação musical de Seu Jorge, que apresentou o poema Poder da Criação, de Paulo César Pinheiro e João Nogueira, conectando canto, poesia e resistência artística. A canção encerrou a sessão com uma reflexão sobre a imortalidade da arte.
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