- O Soft Power foi tema de palestra no São Paulo Innovation Week, discutindo como o Brasil pode influenciar o mundo pela cultura.
- Felippe Vassão e Gianzão dizem que o Brasil tem talento e pode organizar a sua influência, citando exemplos como Diplo no funk e o crescimento do K‑pop.
- O brasileiro é visto como caloroso e com forte presença online, com impacto em plataformas digitais ao redor do mundo e em shows ao vivo, como o Lollapalooza.
- Propõe‑se apoio do governo sem dinheiro direto, por meio de facilitação logística e parcerias, similar ao modelo de Top Gun, além de projetos privados de “song camps” para o C‑pop.
- Relatos de autocatálise brasileira destacam a valorização da produção local, como no álbum Amarelo, de Emicida, e a ideia de que a carreira de Anitta ganhou repercussão internacional a partir de foco no público brasileiro.
O Soft Power, ou poder suave, é a capacidade de influenciar outras culturas por meio de conteúdo e instituições. Estados Unidos, Coreia do Sul e França aparecem como exemplos clássicos dessa prática. A discussão ganhou espaço no São Paulo Innovation Week, evento que reúne líderes de empresas e startups para debater inovação.
Durante o encontro, Felipe Vassão, criador de conteúdo e produtor musical, dialogou com Gianzão, sócio do Grupo Flow, sobre como o Brasil pode ampliar sua influência global sem depender de recursos diretos. A fala destacou o papel da cultura como vetor de alcance internacional.
Vassão argumentou que o Brasil tem vasta demanda cultural, mas ainda não organiza esse potencial de forma estratégica. Em vez de fabricar modismos, ele defende organizar talentos já existentes para ampliar o impacto externo do país.
Gianzão acrescentou que o Soft Power brasileiro vai além da música ou do cinema: envolve pessoas e comportamento digital. Segundo ele, o Brasil tem presença marcante na internet e em cenas de shows ao vivo, o que facilita a viralização de conteúdos nacionais.
Para o debate, foram apresentados exemplos internacionais de políticas culturais. O caso sul-coreano, que investiu em cinema, doramas e música após crises econômicas, foi citado para ilustrar caminhos de construção de indústria cultural.
Em relação a políticas públicas, Vassão sugeriu modelos de apoio que não dependam apenas de repasses financeiros. Citou, como referência, ações de logística de apoio a produções, como ocorreu em produções de filmes com uso de recursos públicos de forma indireta.
O papo também abordou casos de cooperação internacional, como projetos privados em que encontros de composição visam criar sonoridades com identidade própria. A ideia é estruturar setores musicais nacionais que dialoguem com o cenário global.
Ao falar de trajetória pessoal, Vassão relatou a mudança de foco para valorizar a música brasileira. Produções com artistas nacionais, como o álbum Amarelo de Emicida, passaram a priorizar samples locais para fortalecer soberania cultural.
Gianzão mencionou impactos práticos da visibilidade internacional, como a possibilidade de artistas brasileiros receberem convites para palcos de grande expressão. O relato aponta que a percepção de Brasil fora do país tem melhorado, mas ainda exige diálogo interno sobre o potencial nacional.
No conjunto, o fórum enfatizou a necessidade de reconhecer o valor da estética brasileira no cenário global. A ideia é ampliar o reconhecimento internacional sem depender exclusivamente de agentes externos, fortalecendo a identidade cultural brasileira.
A programação do SPIW 2026 segue em São Paulo, com debates sobre tecnologia, ciência, educação, saúde e finanças. O evento reúne centros de pesquisa, investidores, governos e empresas para discutir inovações e tendências de mercado.
Entre na conversa da comunidade