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Punk de Nova York supera perdas e não desiste

Julian Pratt aborda paternidade, perdas e o álbum Alone Together, que equilibra a energia do punk com amor e resiliência diante da adversidade

Foto: Johnny Nunez/WireImage / Rolling Stone Brasil
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  • Julian Pratt, vocalista do Show Me the Body, caminha pelo Queens com a filha Surey, mostrando interesse por pombos nativos da cidade.
  • Alone Together, quarto álbum da banda, tem lançamento previsto para 10 de julho de 2026 e contou com produção de Kenneth Blume e Klas Åhlund, mantendo a agressividade com mais foco.
  • Pratt passou a trabalhar em uma função na Bolsa de Valores de Nova York, o que ele vê como ironia diante de letras críticas ao capitalismo, tema recorrente no grupo.
  • Os singles incluem Dance in the U.S.A. e No God, além de See You Again, que homenageia amigos que ele perdeu nos últimos anos.
  • O álbum aborda amor, perda e a força da comunidade, com o Corpus ganhando destaque como organização comunitária ligada à juventude de Nova York.

Julian Pratt, vocalista do Show Me the Body, encara perdas recentes e a paternidade ao preparar o quarto álbum da banda, Alone Together, previsto para 10 de julho de 2026.

O frontman de 32 anos foi visto com a filha Surey em Astoria Park, Queens, numa tarde de maio. O passeio mostrou a relação próxima de Pratt com a cidade de Nova York e com a comunidade de pombos, tema que aparece na capa do novo disco.

Pratt deixou claro que a vida mudou desde o último lançamento, Trouble the Water (2022). Hoje ele concilia a rotina de pai com a agenda de shows e a militância musical que marca o projeto, tanto em palco quanto na militância do Corpus, coletivo juvenil que ele cofundou.

Alone Together surge com produção de Kenneth Blume e Klas Åhlund, buscando um som mais coeso e intenso. Pratt descreve o disco como mais autêntico, mantendo a agressividade ao vivo, porém com foco e letras que sustentam uma postura política radical.

O trio que integra o Show Me the Body envolve Pratt, cofundador Harlan Steed e o baterista Nijol Benjamin, que ingressou recentemente. O trabalho enfatiza uma linha sonora mais firme, sem abrir mão da veemência que caracteriza a banda.

Entre os singles, Dance in the U.S.A. destaca Pratt rimando sobre a vida nos Estados Unidos, acompanhada por baixo pulsante e banjo. No God traz guitarras duplas e reflexões sobre decisões difíceis, enquanto See You Again presta tributo a amigos que faleceram recentemente.

O tema central do álbum, Alone Together, nasceu da experiência de enfrentar críticas e ódio recebidos por questões identitárias. Pratt descreve o conceito como a sensação de estar sozinho, mas conectado a uma comunidade que o apoia.

A obra também aborda perdas pessoais, incluindo dois mentores que marcaram sua trajetória. Um deles, Mike Down, foi atropelado em 2024 e deixou um legado de apoio à formação do Show Me the Body. Outro mentor, Michael Pestalozzi, faleceu há cerca de uma década.

Sobre o Corpus, Pratt aponta a evolução de um grupo de amigos para uma rede comunitária. A organização oferece estúdio de gravação para jovens de Nova York, ensina autodefesa e funciona como suporte cultural ao redor da banda.

Em entrevista, Pratt reforça que a vida adulta traz responsabilidades diferentes, inclusive no campo financeiro. Ele admite que o trabalho permite sustentar a filha, ainda que o impulso criativo permaneça como motor da banda.

Ao falar sobre a ideia do título, Pratt cita a experiência de enfrentar ódio e provar que o amor pode prevalecer. O músico diz que a arte continua a ser um ponto de apoio para amigos e familiares, mesmo diante de críticas.

Quanto à saúde mental, Pratt admite que o processo de luto segue presente. Ele destaca disciplina física e social como pilares para manter o equilíbrio, sem abrir mão das próprias estratégias de enfrentamento.

Questionado sobre a volta à estrada, Pratt admite o receio de se afastar por longos períodos sem companheiros de longa data. Ainda assim, a música e o desejo de compartilhar a visão da banda o mantêm ativo e resistente.

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