- Marisa Anderson lança The Anthology of UnAmerican Folk Music Vol 1, reinterpretando nove músicas de regiões impactadas por grandes conflitos dos EUA desde o nascimento da artista em 1970, inspiradas no acervo de Harry Smith.
- O projeto retoma trechos do acervo de Smith, que incluiu a Anthology of American Folk Music, buscando traduzir composições não americanas com foco no diálogo entre culturas.
- Destaques incluem Quodlibet, medley em tonalidade menor com tunes uzbeques tocados originalmente em dambura, onde Anderson acrescenta técnicas de bluegrass.
- Hamd, uma peça vocal qawwali, recebe camadas de guitarra que geram calor e emoção; Sarvi Simin, com violino, é uma peça da era soviética, e Zar, tune iemenita, envolve rearranjos de cinco notas sem repetição.
- O álbum também apresenta Pair of Duduk, com drones de instrumentos armênios transferidos para guitarra com reverb, e Whistle Song, vietnamita, próximo do minimalismo em piano elétrico; as notas apontam para a influência potencial de compositores contemporâneos clássicos e para a ideia de que culturas musicais distantes são mais permeáveis do que parecem.
Marisa Anderson lança The Anthology of UnAmerican Folk Music Vol 1, reinterpretando nove temas coletados a partir de regiões marcadas por grandes conflitos dos EUA. A obra surge a partir de arquivos de Harry Smith, compilador clássico da Anthology of American Folk Music de 1952, que abriga gravações de outros mundos além do território americano. Anderson acessou os arquivos em 2023, descobrindo horas de música não americana para apresentar em seu formato instrumental.
A interpretaçao de cada faixa mistura tradições locais com linguagem contemporânea. A abertura Quodlibet reapresenta tunes uzbeques no dambura, com toques de bluegrass para contornar a impossibilidade de tocar semitons na guitarra. Hamd, música vocal qawwali, ganha camadas de guitarra que soam quentes e emotivas, destacando o cuidadoso arranjo da artista.
A produção inclui colaborações que enriquecem a atmosfera. Gisela Rodríguez Fernández adiciona violino em Sarvi Simin, da era soviética afegã, enquanto Zar, do Iêmen, demonstra rearranjos com apenas cinco notas. Pair of Duduk cria timbres de ambiente sombrio, com drones de instrumentos armênios transferidos para guitarra com reverb. Whistle Song, do Vietnã, muda de flautas de bambu para piano elétrico, aproximando-se do minimalismo.
Subtítulo
O texto de apresentação de Anderson questiona a influência de composições clássicas contemporâneas sobre este registro. A artista aponta como culturas musicais distantes podem ser mais próximas do que parecem, ao cruzar instrumentos e estilos sem pressa de delimitar fronteiras. A obra, assim, propõe uma reflexão sobre por que esse repertório resiste e como ele pode repercutir hoje.
Lançamentos adicionais neste mês
Cocanha, duo feminino francamente francês, lança Flame Folclòre (Bongo Joe). O disco começa com Remenanuèch, faixa que une punk e harmonias vocais, contando a história de mulheres enfrentando um dragão de forma metafórica. A produção traz ritmos de tamborim com cordas e texto de resistência.
Sgo, duo de as irmãs Steaph e Ciorstaidh Chaimbeul, entrega Eòlas-Charm (Chamber Music Scotland). O álbum apresenta 10 faixas com alfabeto sonoro de harpa, acordeão e voz, inspiradas em histórias orais gaélicas, com destaque para a construção narrativa em música.
Lady Maisery e Jimmy Aldridge & Sid Goldsmith encerram com Wakefire: A Summer Album. São 27 faixas que transcorrem de abril a setembro, incluindo May Day e Ligō, canções políticas, banjo e registros de campo que compõem um panorama de ritos sazonais e tradições coletadas.
Entre na conversa da comunidade